Quando as Palavras Criam o Mundo: Oralitura e Identidade nos Anos Iniciais da Educação em Tempo Integral

O interesse na promoção de inclusão, equidade e afirmação das identidades negras e periféricas, alinhada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), às Leis 10.639/03 e 11.645/08 e ao Currículo em Movimento do Distrito Federal, deu origem à experiência “Quando as palavras criam o mundo: oralitura e identidade nos Anos Iniciais da Educação em Tempo Integral”. Implementada desde 2025, para estudantes do 5º ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC) Benedito Carlos de Oliveira, no Distrito Federal (DF), a iniciativa tem como objetivo integrar linguagens, tempos e sujeitos, para romper com lógicas escolares fragmentadas e reconhecer o território, os saberes e os corpos como partes legítimas do currículo.
Para isso, são oferecidas atividades que combinam oralidade, escuta, criação narrativa e produção textual autoral. As crianças são convidadas a escutar e recontar ìtàn (contos mitológicos yorùbá), a criar e declamar seus próprios oríkì (poemas afrocentrados com estrutura da poesia yorùbá), e a interagir com òwe (provérbios yorùbá) e provérbios da tradição oral brasileira. Todos esses elementos da tradição oral são utilizados como portais de entrada para o texto escrito, permitindo que a palavra seja sentida e vivida antes de ser grafada. Outra ação que merece destaque é o jogo de cartas narrativas, criado coletivamente com os estudantes e inspirado na estrutura dos ìtàn.
O processo de monitoramento e avaliação é contínuo, integrado e colaborativo, envolvendo professores, estudantes e a coordenação pedagógica. A avaliação ocorre tanto no campo do planejamento docente, com base na pesquisa-ação, quanto nas atividades desenvolvidas diretamente com os estudantes, por meio de escuta, observação e produção escrita.
Como resultados, foram observados a consolidação de uma cultura escolar pautada na escuta, no respeito e na valorização da voz de cada sujeito; a construção de novas abordagens pedagógicas; e avanços significativos na fluência, autoestima e engajamento escolar, especialmente entre crianças negras e de comunidades rurais.
Ao reconhecer, valorizar e respeitar as diferenças humanas e a diversidade cultural, esta experiência propõe o uso de materiais didáticos e pedagógicos que sejam contextualizados, significativos, acessíveis, diversificados e sustentáveis.


