Por Ciely Melo Guedes Rodrigues Herculano, Danilo Macruz Inácio, Ricardo Henrique Medeiros Guimarães, Sirleine Brandão de Souza e Talita Ferreira Campos Vaz

A inclusão vai além da presença física: é sobre reconhecer potencial, respeitar diferenças e acreditar que cada pessoa tem algo único a oferecer.

Encontro com mães e estudantes na EMEIEF Santa Terezinha.
Foto: Equipe de pesquisadoras(es) do Projeto Experiências Inspiradoras

CORDEL DE POCINHOS

Autora: Ciely Herculano – coordenadora da Educação Integral no município de Pocinhos

“No coração do Nordeste, ergue-se em fé e poesia, Pocinhos, cidade jovem,cheia de graça e alegria.

 

Seu povo guarda na alma a tradição que contagia. O nome nasceu do chão, de um traço da natureza: pequenos poços de água, fontes de vida e beleza.

 

Sustento para viajantes, símbolo de fortaleza. As pedras contam histórias, revelam tempos passados, na memória do sertão ficam sonhos registrados.

 

Cada canto dessa terra traz valores bem guardados. No ensino em tempo integral, Pocinhos se faz brilhar, a cultura se mistura com o saber a ensinar.

 

É no livro e no esporte que se aprende a caminhar. Aqui se valoriza a vida, com respeito e inclusão, a diferença é riqueza que fortalece a união. Pocinhos segue seu rumo, guiada pelo coração.”

 

 Pocinhos conta com população estimada de 18.038 habitantes (IBGE, 2025). A Rede Municipal de Ensino atende 3.573 estudantes, distribuídas(os) em 12 escolas e duas creches conveniadas, das quais 2.600 alunas(os) estão matriculadas(os) em tempo integral.

 

 

 

 

A Educação Integral em Tempo Integral requer enxergar a(o) estudante em todas as suas potencialidades. Nesse contexto, o taekwondo surgiu como um poderoso aliado do processo educativo em Pocinhos (PB), município do agreste paraibano, transformando o tatame em uma extensão da sala de aula.

Durante os treinos, estudantes aprendem muito mais do que técnicas marciais. Aprendem a ouvir, a respeitar o tempo da(o) outra(o), a lidar com vitórias e derrotas e a reconhecer o valor do esforço pessoal e do trabalho coletivo. O resultado aparece dentro e fora da escola: melhora na concentração, disciplina, convivência e aprendizagem de conteúdos escolares.

Vista da cidade de Pocinhos (PB).

Foto: Equipe de pesquisadoras(es) do Projeto Experiências Inspiradoras

O esporte revelou-se, assim, uma ferramenta educacional capaz de promover o desenvolvimento físico, emocional e intelectual, fortalecer valores e preparar crianças e adolescentes para os desafios da vida.

No taekwondo ninguém é definido por limitações, mas pelo que é capaz de conquistar. Movimentos adaptados, acompanhamento próximo e um olhar sensível garantem que todas as pessoas participem. Ali, o uniforme é o mesmo, o respeito é igual e cada conquista, por menor que pareça, é celebrada por todas as pessoas.

Quando o taekwondo chegou às escolas de Pocinhos, muitas pessoas acreditavam que o tatame seria dominado pelos meninos. Mas o tempo mostrou uma bela surpresa: as meninas tomaram à frente e transformaram o projeto em um símbolo de força e igualdade. Com o dobok branco — uniforme usado por praticantes de artes marciais coreanas, como o taekwondo — e o olhar firme, elas desafiaram estereótipos e não têm gênero. O que antes parecia um espaço masculino tornou-se palco de empoderamento feminino, no qual cada golpe representa mais do que técnica: é um gesto de autoconfiança e superação.

A presença das meninas trouxe mudanças profundas. Elas se tornaram mais seguras, participativas e determinadas. O taekwondo as ajudou a acreditar no próprio potencial, a valorizar o esforço pessoal e a ocupar espaços com orgulho e voz ativa. Dentro e fora da escola, mostraram que podem ser líderes, atletas e inspirações para outras meninas da comunidade.

Mães e professoras(es) também perceberam a transformação. Muitas famílias, antes receosas, passaram a apoiar as filhas ao verem o quanto o esporte fortalece a autoestima e o rendimento escolar.

A cada campeonato, a cada medalha conquistada, crescia não só o orgulho, mas também o reconhecimento de que o tatame é lugar de todas e todos. O taekwondo mostrou que a igualdade se constrói na prática, e que quando uma menina sobe ao pódio, todas as outras sobem com ela. Para a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental (EMEIEF) Santa Terezinha, Lígia Guimarães Santos Patricio, essa ação representou “acolhimento das diferenças de gênero e ampliação do espaço das meninas no esporte”.

Além de refletir nas salas de aula, em detalhes como melhor concentração, mais cooperação e uma convivência mais harmoniosa entre colegas, professoras(es) relatam que as(os) estudantes que praticam o taekwondo se tornaram mais responsáveis e participativas(os), demonstrando que o esporte também é uma poderosa ferramenta pedagógica.

“A escola integral veio pra ser inovadora, pra mudar muitas coisas, mas aí eu acho que a gente está se adaptando aos poucos. E nós estamos nos adaptando também.”

Michelle Miranda de Brito Silva, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Osman Cavalcante Leal

Estudantes da Educação Especial começaram a mostrar avanços significativos na coordenação, na autonomia e na autoestima. Muitas(os) passaram a se expressar melhor, a se organizar nas rotinas e a participar com mais confiança das atividades escolares. O brilho em seus olhos, durante os treinos, se transformou na prova mais bonita de que a inclusão desse público pode ser real.

 

Outro destaque foi o envolvimento das famílias, mães e pais que, antes, se sentiam isoladas(os) e passaram a participar ativamente, acompanhando os treinos, vibrando nas graduações e encontrando apoio na convivência com outras famílias. O esporte criou uma rede de afeto e pertencimento, fortalecendo laços que ultrapassaram o tatame.

 

A experiência mostrou que a inclusão vai além da presença física: é sobre reconhecer potencial, respeitar diferenças e acreditar que cada pessoa tem algo único a oferecer. No entanto, como toda novidade, com a organização das Escolas de Educação Integral em Tempo Integral, no início, houve o receio daquilo que não se conhece muito bem.

Algumas famílias ainda demonstram receio de deixar suas(eus) filha(os) na escola por um período estendido, portanto há a necessidade de se desenvolver um trabalho próximo a essas famílias na construção de uma inserção qualificada, possibilitando às(aos) estudantes cada vez mais espaços e tempos organizados para que ocorram atividades significativas para sua aprendizagem e desenvolvimento. Nessa medida, as(os) diretoras(es) das escolas destacam que o diálogo com as famílias tem sido fundamental, tanto para compreender limitações de algumas(uns) estudantes que não conseguem permanecer em tempo integral, quanto para fortalecer a inclusão nas atividades eletivas.

 

As(os) diretoras(es) são unânimes em afirmar que o diálogo tem trazido bons resultados, pois cada vez mais estudantes que não participavam das atividades estão se engajando e vivenciando novas experiências, bem como o reconhecimento pelas próprias crianças e adolescentes das atividades desenvolvidas pelo Programa da Escola em Tempo Integral.

“Ele tem o direito. Então é o que eu sempre digo pras mães: ´deem o direito aos filhos de vocês´.”

Lígia Guimarães Santos Patricio, diretora da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Santa Terezinha



“Este ano, a escola está 100% em tempo integral. Todos os dias, nós temos desafios, porque ainda existe aquela parte dos responsáveis que não aceitam, não acolhem, e isso dificulta um pouco. Mas a gente vai vencendo, a cada dia, e criando estratégias. O turno da tarde é essencial, porque é quando eles têm as eletivas, e para os alunos da Educação Especial é o momento de maior regulação, de socialização. Muitos deles pedem para ficar, mesmo quando não conseguem permanecer até o final.”

Michelle Miranda de Brito Silva, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Osman Cavalcante Leal

“Às vezes, a inclusão vem só na palavra inclusão e quando se trabalha de fato, a gente vê como esse trabalho tem efeito. A gente sente que os pais se mobilizam, incentivam. E eu, como pai, vejo crianças que, muitas vezes, são discriminadas por algo específico e, de repente, surge uma oportunidade dela ser tratada por igual. Claro que eles vão.”

Afonso Henrique Patrício Alves, Secretário Municipal de Educação

Por outro lado, quando as famílias compreendem as intenções e se tornam parceiras da escola, o apoio e a colaboração são mútuos.

“Os pais aceitam muito bem, tanto quando é necessário que a criança não fique o dia inteiro, quanto quando a gente pede que ela volte para tentar novamente. Eles compreendem a necessidade e apoiam a escola. Existe uma relação boa entre escola e a família nesse sentido, de acolher e ajudar.”

 

Michelle Miranda de Brito Silva, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Osman Cavalcante Leal

Taekwondo na EMEF Osman Cavalcante Leal.

Foto: Equipe de pesquisadoras(es) do Projeto Experiências Inspiradoras

Isso demonstra, mais uma vez, a importância de se pensar o Programa Escola em Tempo Integral de forma coletiva, articulando políticas públicas no âmbito do município, por meio da Secretaria de Educação, gestoras(es) das escolas, famílias, professoras(es) da sala de aula regular, sala de recursos multifuncionais, educadoras(es) sociais e profissionais que trabalham com as diferentes modalidades. E essa articulação reforça o caráter integral quando se pensa na educação de crianças, jovens, pessoas adultas e idosas das escolas.

Existem ações para o reconhecimento das famílias de estudantes da Educação Especial, especialmente aquelas que vivenciam situações de vulnerabilidade. Nesse contexto, o projeto possibilita à criança que se encontra nessas condições permanecer em ambiente planejado, intencionalmente, para o desenvolvimento de habilidades necessárias no processo de ensino e aprendizagem. Portanto, há um ganho significativo quando a escola consegue enriquecer o tempo da infância, da formação integral, fomentando situações que, se não fosse pela escola, a criança, provavelmente, não teria a oportunidade de vivenciar.

PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO: ENSINO, APRENDIZAGEM, SOCIALIZAÇÃO

No processo de escolarização de estudantes da Educação Especial observa-se, por meio de diferentes fontes — pesquisas, resultados em avaliações, relatos de famílias e professoras(es) —, que ainda há um longo caminho a ser percorrido no que se refere à aprendizagem de conteúdos escolares, principalmente quando considerado que há muitas(os) estudantes sem nenhum tipo de deficiência, que também enfrentam dificuldades no processo de ensino e aprendizagem.

Portanto, para além da marca que o diagnóstico traz para a vida da(o) sujeita(o) e de sua família, se faz necessário atentar para a forma como a educação em geral está organizada, bem como para as condições de trabalho das(os) professoras(es) do país e, localmente, o estado da infraestrutura das escolas do município e espalhadas pelo Brasil e, mais importante, refletir sobre qual o projeto de país, de estado, de cidade inclusiva e de Educação Inclusiva que se deseja construir agora, no presente. Essa é uma discussão importante de se fazer em todos os processos que se pretendem inclusivos dentro das escolas.

“A inclusão acontece no dia a dia, quando a gente senta no chão com o aluno, quando segura a mão dele e mostra que ele pode participar.”

Josicleide da Silva Castro, educadora social

“E é uma alegria muito grande saber que nós estamos contribuindo para uma educação melhor, uma educação de qualidade, que leva o aluno a saber que ele pode sonhar. Nossos alunos da rede pública, que podem todos os dias sonhar.”

Norma Cavalcanti Leal, Secretária Adjunta de Educação

O Projeto de taekwondo desenvolvido nas Escolas de Educação Integral em Tempo Integral, em Pocinhos, demonstra potencial para fomentar o desenvolvimento e a aprendizagem das(os) estudantes da Educação Especial, pois é por meio da aprendizagem que a criança se desenvolve. Quanto mais processos intencionais de aprendizagem o ser humano tiver possibilidade de participar, melhor para o desenvolvimento de suas funções superiores. (Vigotsky, 2011)

O diálogo sobre Educação Integral em Tempo Integral requer falar sobre aprendizagens diversas e necessárias para quem facilita o processo de constituição de pessoas autônomas e conscientes. Além disso, é importante refletir sobre a articulação de atividades desenvolvidas na Escola em Tempo Integral e os processos de ensino e aprendizagem dos saberes historicamente produzidos pela humanidade e sistematizados na e pela escola.

A escola tem o papel de possibilitar o acesso, das novas gerações, ao saber organizado e sistematizado para que possam participar efetivamente como cidadãs(ãos) conscientes, na produção social. (Saviani, 2011)

Nessa medida, pensar tempos e espaços para a implantação do planejamento pedagógico junto com as(os) professoras(es) da sala de aula comum, da sala de recursos multifuncionais e com as(os) educadoras(es) sociais, tende a fortalecer essa ação que vem ocorrendo no município, dado que seu impacto já é percebido por meio do interesse e participação nas atividades em sala de aula, do aumento da autoconfiança e da motivação escolar.

 

“Meu filho melhorou até as notas, porque ficou mais animado para estudar.”

Maria Claudiana Santos Rodrigues, mãe do estudante Angelo Rodrigues Brandão, 10 anos, do 4º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elizete Pereira

“A importância que tem um esporte na vida deles, né? Que é auxiliar na coordenação motora, reflexos. É a interação, a socialização.”

Mariana Sonaly Santos Mateus, educadora social

Taekwondo na EMEIEF José Tomé.

Fonte: Equipe de pesquisadoras(es) do Projeto Experiências Inspiradoras

O trabalho de taekwondo que vem sendo desenvolvido possibilita e permite o acolhimento e a socialização das(os) estudantes em um ambiente de respeito às suas singularidades. Tanto o planejamento da(o) docente, quanto a forma como a atividade é realizada, demonstram que a participação de meninas e meninos ocorre de acordo com suas potencialidades. As atividades são planejadas para que as(os) estudantes experimentem desafios, explorem formas diferentes de se posicionarem no mundo, implicando em mudanças tanto no comportamento das próprias crianças quanto no olhar de suas mães.

“Eu pensei que ele não fosse conseguir.”

Maria Claudiana Santos Rodrigues, mãe do estudante Angelo Rodrigues Brandão, 10 anos, do 4º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elizete Pereira

“Eu tenho um filho com deficiência, e aqui ele participa como qualquer um. Os colegas cuidam dele, ajudam, e isso emociona a gente como mãe.”

Lígia Guimarães Santos Patricio, mãe do estudante João Pedro Guimarães Santos Patricio, 7 anos, do 2º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elizete Pereira

“Antes, meu filho era tímido, não queria participar de nada. Agora, com o taekwondo, ele está mais seguro, até para se apresentar nas aulas. Eu vejo ele crescendo como pessoa.”

Simone Plácido da Silva Nascimento, mãe do estudante João Victor Plácido Nascimento, 11 anos, do 5º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental João XXIII

“Eles têm mais disciplina, respeitam mais, até dentro de casa a gente percebe mudança.”

Maria Claudiana Santos Rodrigues, mãe do estudante Angelo Rodrigues Brandão, 10 anos, do 4º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elizete Pereira

No processo de ensino e aprendizagem na
Educação Inclusiva, é necessário reconhecer a socialização como um importante elemento. Em muitas condições, há entraves na verbalização, no toque, na troca de afetos e carinhos, devido à hipersensibilidade dos sentidos que têm muitas(os) estudantes, público da Educação Especial. A prática pedagógica diária de Ricardo Henrique Medeiros Guimarães, professor de taekwondo, auxilia na sua aproximação dessas(es) estudantes, levando confiança tanto para as crianças e adolescentes, como para a família.

A partir das vivências que o professor teve com as crianças, percebeu-se que a questão do contato físico pode ser um impedimento para que o trabalho seja desenvolvido. Com sua inventividade e formação em Engenharia, criou roupas e ferramentas com tecnologias para não afastar a criança de vivenciar a experiência da luta. Com um “macarrão” de piscina cortado, ele posicionou imãs com eletrodos nas pontas, fazendo desses bastões os “braços” das pessoas que estavam lutando, além de colete, capacete e tornozeleira, também com ímãs, usados pelas duas pessoas, que, ao se chocarem, computam os pontos em um monitor.

O uso dessa tecnologia auxiliou, neste primeiro momento, as pessoas que tinham hipersensibilidade com o contato físico, pois não se fazia necessário o toque ao utilizar esses bastões para aplicar os golpes contra a pessoa adversária. Com o tempo, os bastões foram dispensados para que a criança conseguisse executar as ações solicitadas pelo educador, até o momento em que não se tornasse mais necessário.

OS DESAFIOS DE SE PENSAR EXPERIÊNCIAS INSPIRADORAS

Pensar a organização de tempos e espaços em uma escola não é tarefa fácil. Mas se torna necessária na medida em que a Educação Integral na Escola de Tempo Integral exige a interação e articulação entre as diferentes áreas e/ou modalidades de atuação com o Projeto Pedagógico da escola. Ou seja, as ações desenvolvidas devem ser parte constituinte do currículo da escola e pensadas de forma inter-relacionadas, para que os resultados sejam potencialmente significativos para promover o desenvolvimento humano de forma integral.

Em Pocinhos, essa articulação é possibilitada pela coordenação do Programa Escola de Tempo Integral, envolvendo profissionais das diferentes modalidades distribuídas pelas escolas participantes. Os tempos são organizados tendo em vista os espaços disponíveis nas escolas, com o período da manhã para as disciplinas regulares e o da tarde para as eletivas. Ainda que não seja possível, neste momento, o desenvolvimento de um planejamento compartilhado com as pessoas responsáveis pelo processo de escolarização das(os) estudantes, é possível pensar estratégias para que articulações ocorram, num futuro próximo, potencializando o alcance das atividades desenvolvidas.

Dessa forma, organizar espaços de trocas, compartilhamentos e planejamentos conjuntos é imprescindível para que realidades sejam transformadas. E isso tem a ver com os espaços nos quais as atividades são desenvolvidas, pois o desejo de qualquer professora(or) e gestora(r), principalmente, na escola pública, é possibilitar uma educação de qualidade socialmente referenciada, inclusiva, democrática e gratuita, e, para isso, a infraestrutura material e humana faz parte de uma perspectiva de Educação Inclusiva.

Casa de Cultura de Pocinhos (PB).

Fonte: Equipe de pesquisadoras(es) do Projeto Experiências Inspiradoras

Em Pocinhos, há uma grande mobilização por parte das(os) gestoras(es) das escolas para acolher as(os) estudantes em suas singularidades, dado que oferecer um trabalho pedagógico de qualidade, com materiais de qualidade, em espaços adequados é imprescindível para o alcance dos objetivos.

Há um intenso investimento em educação no município, com a construção de escolas, a serem inauguradas, que comportam espaços adequados e necessários para a realização, não só de atividades esportivas como o taekwondo, mas de todas as atividades inerentes ao processo de escolarização e formação integral das(os) estudantes.

Nessa medida, estudantes, suas famílias, professoras(es), educadoras(es) sociais e toda a sociedade só têm a ganhar com o cuidado, zelo e seriedade com que a educação é tratada em Pocinhos.

A experiência faz tanto sucesso com as famílias das(os) estudantes, público da Educação Especial, que há uma intensa busca por essa atividade na rede, inclusive por mães de escolas que não integram o Programa de Escola em Tempo Integral. Assim, há uma demanda real de aumento do número de turmas nesta modalidade. Mas há uma ressalva a se fazer: mães, gestoras(es), educadoras(es) sociais são unânimes em afirmar que o trabalho desenvolvido pelo professor Ricardo Henrique Medeiros Guimarães, se diferencia pelo trato com todas as crianças.

“O professor Ricardo é diferente, ele tem paciência com todas as crianças. Meus filhos dizem que só querem treinar com ele.”

Lígia Guimarães Santos Patricio, mãe do estudante João Pedro Guimarães Santos Patricio, 7 anos, do 2º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elizete Pereira

“Meu filho não falta de jeito nenhum no taekwondo. Se deixar, ele vem até doente. Ele ama e eu vejo que mudou muito o jeito dele.”

Maria Claudiana Santos Rodrigues, mãe do estudante Angelo Rodrigues Brandão, 10 anos, do 4º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Elizete Pereira

A relação estabelecida entre professora e professor e estudante é fundamental para se criar um ambiente favorável à aprendizagem. A(o) docente, como responsável por esse processo, precisa planejar de forma intencional e sistematizada, avaliar, refletir sobre o que planeja e o resultado obtido, além de se atentar ao processo e não somente ao resultado.

Isso aponta para a necessidade de se pensar as condições formativas e de atuação proporcionadas às(aos) profissionais da educação em geral, uma vez que a educação escolar requer, além de boa intenção, cuidado e afeto, formação para entender as singularidades das(os) sujeitas(os) em desenvolvimento inclusivo e integral, nos aspectos biopsicossociais e pedagógicos.

Percebe-se que a Escola de Tempo Integral, para além da política que a normatiza e orienta, necessariamente, precisa envolver muitas pessoas, como as famílias e a comunidade, pois, sendo algo diferente, ainda uma novidade em muitas realidades, há certa insegurança para sua implantação e acolhimento pelas famílias, principalmente aquelas das(os) estudantes da Educação Especial. O trabalho coletivo e intencional são fundamentais para a concretização dessa realidade.

Diferentes vozes apontam para as infinitas possibilidades de transformação da educação brasileira, propiciando a todas as pessoas o direito a uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada.

Vista da Escola Nova.

Foto: Equipe de pesquisadoras(es) do Projeto Experiências Inspiradoras

REFERÊNCIAS

SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11. ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2011. (Coleção educação contemporânea).

 

VIGOTSKI, Lev Semionovitch. A defectologia e o estudo do desenvolvimento e da educação da criança anormal. Educação e Pesquisa. V. 37, n. 4, p. 861-870, 2011.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE POCINHOS:

Site: pocinhos.pb.gov.br/secretaria-de-educacao

Instagram: @educacaopocinhos

Youtube: www.youtube.com/

@prefeituradepocinhos9654

 

 

ESCOLAS CITADAS NO TEXTO:

 

EMEIEF Elizete Pereira:

Instagram: @escolaelizete

 

EMEIEF José Tomé:

Instagram: @escolamunicipaljosetome

 

EMEIEF João XXIII:

Instagram: @escolajoao_xxiii

 

EMEF Osman Cavalcante Leal:

Instagram: @emeiefosman

 

EMEIEF Santa Terezinha:

Instagram: @escola.santaterezinha2025