
Por Ana Beatriz Goulart de Faria, Cláudia Cristina Pinto Santos, Elzeni Damasceno de Souza, Ivonete Araújo de Sena e Juliana Souza Machado dos Santos

Com gestão democrática e participação popular, o município baiano transforma a Educação Integral em política de Estado.
Apresentação do cordel da Escola Municipal 13 de Junho na I Mostra Pedagógica, em novembro de 2022.
Foto: Assessoria de Comunicação de Lagedo do Tabocal (BA)
No coração da Bahia, a 350 quilômetros de Salvador, há uma cidade cercada de pedras e memórias: Lagedo do Tabocal, com pouco mais de oito mil habitantes, carrega o nome do lajedo e a força do povo que aprendeu a fazer do chão duro um lugar fértil de esperança.
Situado no território de identidade do Vale do Jiquiriçá, o município celebra 35 anos de emancipação política. A Rede Municipal de Ensino é composta por 12 Escolas de Tempo Integral, que atendem cerca de 1.750 estudantes e contam com 515 profissionais, entre efetivas(os) e terceirizadas(os), todas(os) comprometidas(os) com a formação integral. Cada escola é mais do que um prédio — é o reflexo de uma comunidade que acredita no poder transformador da educação.
Apesar da referência do nome da cidade se dar a partir da formação rochosa (lajedo) presente em sua localização geográfica, no registro oficial o “g” aparece substituindo o “j” na escrita “Lagedo do Tabocal”. Por isso, foi adotado nesta publicação a forma oficial do nome, ou seja, com “g”.
Entre os ventos do sertão e os ecos da história, o município começou a escrever uma nova página: a da Educação Integral em Tempo Integral, concebida no diálogo, na escuta, no compromisso com o coletivo e na defesa dos direitos de todas(os).
Com esse sonho, e sob a inspiração do educador e escritor baiano Anísio Teixeira (1936, p. 247), que dizia que “só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”, Lagedo começou a reinventar o modo de educar e de gerir sua rede escolar, transformando a escola em espaço vivo de cidadania e esperança.

O Lajedão, lugar que deu nome à cidade de Lagedo do Tabocal.
Foto: Beatriz Goulart

A SEMEADURA
Em meados de 2021, as escolas tentavam reaprender a existir em plena pandemia da Covid-19. Em Lagedo do Tabocal, o silêncio das salas de aula revelava mais que ausências: denunciava as desigualdades, o medo e a distância entre escola e comunidade.
Era tempo de construir algo que acolhesse e formasse, que fizesse do aprender também um modo de viver. Esse propósito ganhou forma porque Lagedo do Tabocal conta com um gestor municipal que acredita na Educação Integral como força transformadora da sociedade. Um sonho que ele passou a ter quando era membro do Conselho Escolar da escola onde sua filha estudava e percebia, nas reuniões, o quanto as atividades do Programa Mais Educação ampliavam horizontes e impulsionavam o desenvolvimento das(os) estudantes — e de toda a comunidade escolar.

“Falar de educação é motivo de alegria. A Educação Integral já fazia parte do nosso plano de governo desde 2016, antes mesmo de eu assumir a prefeitura. Sempre acreditei que uma população mais educada e consciente de seus direitos é mais difícil de ser enganada. Quando começamos a gestão, algumas escolas estavam prestes a fechar, mas, a pedido da comunidade, decidimos mantê-las abertas e iniciar a Educação Integral. Hoje, quando apresento a experiência de Lagedo em outros encontros, sempre me orgulho de dizer que as portas estão abertas para quem quiser conhecer de perto nosso trabalho. Educação é compromisso e sustentabilidade das conquistas — se a rede não acreditar, não há como continuar.”
Marquinhos Sena, Prefeito em Lagedo do Tabocal
Desta maneira, em três escolas pequenas e cheias de história, nasceu a Educação Integral em Tempo Integral como política de rede, fruto de um processo coletivo, marcado pela escuta e pela corresponsabilidade. A iniciativa começou modesta, mas pulsante: as(os) educadoras(es) reuniram-se em rodas de conversa, partilharam inquietações e sonhos e, com firmeza, iniciaram a formação continuada.
A proposta curricular foi tecida a muitas mãos, reconhecendo as culturas locais, as vozes do campo, as tradições, as linguagens e os saberes que já habitavam a comunidade. Também foram feitas parcerias com universidades para atividades de arte e cultura digital, aulas de capoeira, música, leitura, esportes e práticas sustentáveis. As escolas abriram seus portões para o território, que as ocupou como sala de aula viva.
“Cada escola elaborou seu próprio Regimento Escolar, respeitando as especificidades e a realidade de cada comunidade escolar. A gestão democrática também se constrói nas práticas da Secretaria: na Jornada Pedagógica, realizamos enquetes para que os profissionais indiquem temas e sugestões. As decisões são partilhadas e toda equipe atua de forma autônoma na minha ausência.”
Telma Pires do Nascimento, Secretária Municipal de Educação
A comunidade tornou-se parceira e as(os) educadoras(es) sociais atuavam como mediadoras(es) entre o cotidiano, os saberes populares e os saberes científicos. O resultado de toda essa dinâmica logo apareceu: crianças mais presentes, famílias participando, professoras(es) com brilho nos olhos e cheias(os) de entusiasmo.
A experiência deu certo e, assim como tudo o que nasce do coletivo, se espalhou. Ano após ano, novas escolas foram alcançadas por essa transformação e fizeram florescer, em cada canto da cidade, o desejo de transformar.
Em 2025, todas as 12 escolas municipais — urbanas e do campo — vivenciavam a Educação Integral em Tempo Integral em Lagedo do Tabocal. Mas algo ainda precisava nascer: uma lei construída pelo povo, para que a política não fosse apenas vontade de gestão, mas uma conquista coletiva.

Roda de conversa na praça sobre a Política de Educação Integral em Tempo Integral, em setembro de 2025.
Foto: Assessoria de Comunicação de Lagedo do Tabocal (BA)

O desafio:
transformar prática
em política
Com o avanço da proposta, um novo desafio surgiu: como garantir que a política sobrevivesse às gestões e às mudanças do tempo? Como transformar um sonho vivido em política de direito, em compromisso público? A resposta veio da própria lógica da gestão democrática: ouvindo as pessoas. Nesse sentido, foi organizada a 1ª Audiência Pública de Educação Integral em Tempo Integral, um momento histórico não apenas para a educação, mas para toda a cidade.

“Trabalhamos com projetos literários e culturais, como os livros Vidas Secas, Torto Arado e Quarto de Despejo, e músicas dos Racionais, resultando em livros, vídeos e exposições.”
Eliete Meira Souza, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Antônio Carlos Magalhães
“O Projeto Saberes do Peixe valoriza a identidade campesina e os saberes ancestrais, envolvendo parteiras, benzedeiras, artesãos e griôs. A iniciativa resultou no livro coletivo que transforma aprendizado em memória e pertencimento.”
Ivana Meira Silva de Carvalho, educadora social da Escola Municipal Antônio Carlos Magalhães
A preparação envolveu um verdadeiro exercício de democracia participativa:
- Criou-se uma Comissão Organizadora, reunindo representantes da Secretaria de Educação, conselhos municipais, sindicato (APLB – Sindicato dos Trabalhadores em Educação) e gestoras(es) escolares;
- Foi elaborado e aprovado um Regimento Interno para assegurar transparência e legitimidade ao processo;
- Cada escola realizou miniaudiências: estudantes, familiares, professoras(es) e comunidade sentaram-se em roda para debater o que estava dando certo, o que precisava melhorar e o que esperavam da política;
- As sínteses foram sistematizadas pelas equipes escolares, encaminhadas para a Comissão Organizadora e explanadas na audiência geral;
- A audiência foi amplamente divulgada nas redes sociais, na rádio comunitária, nos carros de som, nos convites impressos e nas conversas de porta em porta.
Quando chegou o dia da audiência, em junho de 2024, o ginásio municipal se transformou em um palco democrático. Famílias inteiras compareceram. Professoras(es) vestiram-se com as cores das escolas. Havia faixas, apresentações artísticas, falas de especialistas e muita emoção. E, no centro do ginásio, erguia-se uma árvore de decisão — feita de papel, mas carregada de simbolismo. Cada participante recebeu uma folha colorida, cada uma com um significado: verde para seguir; amarela para reavaliar; e vermelha para parar. Quando o momento da votação chegou, o ginásio ficou todo verde, o povo havia decidido: seguir com a política e transformá-la em lei.

Prefeito Marquinhos Sena durante a votação na I Audiência Pública sobre a Política de Educação Integral em Tempo Integral, no Ginásio de Esportes de Lagedo do Tabocal, em junho de 2024.
Foto: Assessoria de Comunicação de Lagedo do Tabocal (BA)

O nascimento da lei
A votação simbólica deu força política à proposta. Com base nas deliberações da audiência, o projeto foi enviado à Câmara de Vereadores, debatido, aprimorado e aprovado. Em 5 de novembro de 2024, foi sancionada a Lei nº 458 (Lagedo do Tabocal, 2024), que instituiu oficialmente a Política Municipal de Educação Integral em Tempo Integral de Lagedo do Tabocal. A lei não nasceu em gabinete. Nasceu na praça, na escola, na voz da comunidade.
“Saiba mais sobre a Lei nº 458 (Lagedo do Tabocal, 2024), que instituiu oficialmente a Política Municipal de Educação Integral em Tempo Integral de Lagedo do Tabocal. Clique aqui.”
Mais do que um marco jurídico, tornou-se um símbolo de pertencimento e autonomia local. O município compreendeu que decretos passam, mas leis legitimadas pelo povo permanecem. E, nesse ato, a cidade consagrou sua maior conquista: a escola pública como espaço de produção de democracia, com efetiva participação social em defesa de uma política educacional: a Educação Integral.

Apresentação de balé da Escola de Educação Infantil Mãe Preta na III Mostra Pedagógica, em novembro de 2023.
Foto: Assessoria de Comunicação de Lagedo do Tabocal (BA)
AVALIAR, APRENDER E CONTINUAR
Com a instituição da Lei aprovada, uma nova fase teve início no município: o monitoramento participativo, no qual a rede de ensino implementou instrumentos de acompanhamento com professoras(es), estudantes e famílias. Nesse sentido, questionários, reuniões pedagógicas e encontros formativos tornaram-se momentos de reflexão coletiva contínua.
Os resultados começaram a se mostrar nos dados e nos rostos das pessoas envolvidas: melhoria do desempenho escolar, aumento da permanência das(os) estudantes na escola, fortalecimento da autoestima docente e da confiança das famílias.
As Mostras Pedagógicas Anuais consolidam-se como celebração pública do aprender. Nas praças, as crianças apresentam seus projetos, as famílias aplaudem, as professoras(es) compartilham saberes e o município se vê refletido em cada gesto. Em Lagedo do Tabocal, o conhecimento sai do papel e se torna espetáculo, encontro, comunhão.
Os desafios ainda existem, sobretudo em relação à infraestrutura e aos recursos, mas a consciência coletiva sobre o valor da política se tornou o maior patrimônio.
REAFIRMANDO A POLÍTICA
Para avaliar o sentimento coletivo sobre a continuidade da Educação Integral em Lagedo do Tabocal, a dinâmica simbólica das cores, que ocorreu na audiência pública, foi reproduzida em um encontro na praça da cidade. As folhas de papel com as cores verde, amarela e vermelha foram entregues às pessoas, que, em sua maioria, levantaram a tarja verde demonstrando apoio à continuidade. Alguns escolheram o amarelo, refletindo sobre a necessidade de ajustes e melhorias, representando a abertura do diálogo constante.
“Na Mãe Preta, a Educação Integral tem estimulado o protagonismo desde cedo. As crianças participam de atividades de arte, música e movimento, como capoeira e karatê. A ExpoArte Tarsila do Amaral transformou a escola em uma galeria viva, revelando o potencial criativo das crianças e valorizando a cultura brasileira.”
Daniela Angélica dos Santos, diretora da Escola de Educação Infantil Mãe Preta
“Com o Tempo Integral, a comunidade passou a olhar a escola de outra forma. Hoje, a escola é espaço de superação de traumas, fortalecimento de vínculos e construção de autonomia. As atividades artísticas e esportivas — como capoeira, karatê e ginástica rítmica — ajudam a desenvolver valores humanos e ampliam o protagonismo das crianças.”
Laodiceia Santos Brito, diretora da Escola Municipal Antônio Pedral

Roda de capoeira com estudantes das escolas públicas na III Mostra Pedagógica, em novembro de 2023.
Foto: Assessoria de Comunicação de Lagedo do Tabocal (BA)
A COLHEITA
No sertão baiano, Lagedo do Tabocal provou que a gestão democrática é o coração pulsante da Educação Integral e que o direito à aprendizagem plena se constrói de forma compartilhada.
Cada escola tornou-se uma força viva no movimento que constrói democracias. Cada professora, um farol. Cada estudante, um país possível. O que começou como uma semente em tempos de crise, transformou-se em floresta de participação, enraizada na fé coletiva de que educar é governar junto e de que o bem viver é construção cotidiana, tecida em comunidade.
Porque a democracia não é um decreto, é um gesto. É o chão compartilhado onde o povo escreve, com o giz da esperança, o futuro que deseja viver. E se, um dia, perguntarem onde começa o Brasil que deu certo, que olhem para o mapa e vejam, bem ali no sertão, um pequeno ponto verde chamado Lagedo do Tabocal, onde a escola pública aprendeu a ser o nome mais bonito da democracia.
Confira o Cordel “Educação Integral em Lagedo do Tabocal (BA)” neste link aqui.
O QUE SE APRENDE QUANDO SE ESCUTA
A maior aprendizagem dessa experiência está na transformação das relações humanas. A rede de ensino compreendeu que gestão democrática não é apenas metodologia, é postura ética e política, reconhecendo que toda voz importa, que toda decisão coletiva educa, que a escuta é forma de governo e de afeto. Aprendeu ainda que planejar é ato coletivo, que a equipe multiprofissional é teia que sustenta, que a Educação Antirracista e Inclusiva é condição e não anexo.
O currículo é vivo quando nasce do território e que as(os) estudantes são protagonistas quando são ouvidas(os) e compreendidas(os). O processo seletivo para escolha de gestoras(es) escolares, os comitês escolares, os grêmios estudantis e os fóruns locais se tornaram expressões da cidadania em construção. A cidade, que esperava decisões de fora, passou a decidir junto. E a escola, que ensinava, passou a aprender com seu povo.

Estudantes da Escola do Campo Armando São Paulo realizam gravação de podcast com a senhora Cel, integrante do grupo de convivência Nova Geração do CRAS, em agosto de 2023.
Foto: Josenilda Cardoso Sena
“Pra mim, foi ótimo o Tempo Integral, porque eu trabalho o dia todo e não tenho com quem deixá-lo.”
Geovania Brito de Souza, mãe do estudante Ryan de Souza Rodrigues, do 6º ano da Escola Álvaro Vasconcelos Fagundes
“Meus filhos sempre estudaram em escola pública. Minhas duas filhas e, agora, meu filho mais novo está na Escola de Educação Infantil Mãe Preta. Sempre digo que, se é boa para o povo, também é boa para os filhos do prefeito.”
Marquinhos Sena, Prefeito e pai do estudante Luan Andrade de Sena, da Escola de Educação Infantil Mãe Preta
“O Tempo Integral ajuda os alunos a saírem das telas; meu filho participa de capoeira, karatê e pinturas, atividades que se estivesse em casa estaria no celular.”
Lara Nardes Santana Cardoso, mãe do estudante Joaquim Nardes Souza, do 3º ano da Escola Antônio Pedral, e estagiária de Pedagogia da Escola de Educação Infantil Mãe Preta
“Em Lagedo, a Educação Integral evoluiu muito. Muitos pais elogiam a escola pelo tempo integral e alimentação de qualidade. Precisamos ajustar a infraestrutura e garantir sintonia entre todas as escolas.”
Alair Figueiredo, Vereador e pai da estudante Valenttina Vieira Figueiredo, da Escola de Educação Infantil Mãe Preta
“Eu gosto do futebol e da comida.”
Gustavo Almeida Fontes, estudante do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Antônio Pedral
“A parte da tarde é mais diversificada, então dá pra divertir a mente.”
Davi José de Novaes Conceição, estudante do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Álvaro Vasconcelos Fagundes
“O que eu mais gosto da escola é o futebol e a capoeira.”
João Lucas Carvalho de Jesus, estudante do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Antônio Pedral
Reconhecimento e partilha: uma boniteza entre semear, colher e acolher
Esta história, tecida em coletivo, atravessa fronteiras e corações. A experiência lagedense se destaca não por paredes ou relatórios, mas pela força coletiva, pelo diálogo aberto, pelo território que se tornou escola e pela escola que se fez território.
A circularidade da roda conecta, mantém a energia pulsando e não deixa nada escapar. Transforma escuta em presença, presença em decisão, decisão em comunidade. As vozes do território falam alto e o espetáculo acontece em vários espaços, inclusive na praça.
A praça é currículo e democracia em seu estado mais genuíno: um espaço coletivo, de celebração e pertencimento. Aqui, não se constroem casas de avaliação; conectam-se territórios educativos de forma ancestral e amorosa, reconhecendo as forças, os saberes e as memórias que neles habitam. Entrelaçam vivências e fazem do espaço — praça, rua, campo, quadra pública, casinha cultural, sala de aula, clube, viveiro, plantação — um chão fértil de aprendizagens e afetos. O território é mais que lugar: é corpo vivo, pulsante, que ensina a caminhar juntas(os).
Não se paralisa pela ausência de “estruturas”, pois se compreende que elas também se tecem no processo, na coletividade e na invenção cotidiana.
A avaliação, assim como o território, é movimento: nasce dos encontros, das escutas, dos gestos e das caminhadas partilhadas. O resultado é apenas consequência, jamais o ponto de partida.
A meritocracia observa, pressiona, tenta medir e engolir a experiência. Mas há resistência. Que lógica é essa que insiste em reduzir o que é vivo a números e comparações? Cada espaço é gesto, cada gesto é afirmação: educar é resistir, é transformar, é cultivar a esperança que brota em comunidade.
Acreditar na educação como ato de resistência e transformação é o que move, a cada dia, todas(os) que fazem parte desta caminhada, reinventando a escola, fortalecendo a democracia e reafirmando que toda voz importa, toda presença conta, todo sonho coletivo pode se tornar realidade.

Inauguração da casinha cultural da Escola Municipal Antônio Pedral, em novembro de 2023.
Foto: Assessoria de Comunicação de Lagedo do Tabocal (BA)
POEMA "EDUCADORES SOCIAIS: TECELÕES DE SABERES E SONHOS"
Nas veredas da escola, onde o aprender floresce entre o livro e a vida,
caminha o educador social – guardião de saberes, contador de histórias,
mestre do cotidiano que ensina com as mãos, com os olhos, com o coração.
Fruto da semente lançada pelo Programa Mais Educação,
esse trabalho brota do desejo de unir mundos:
o da escola e o da comunidade,
o do saber escrito e o do saber vivido.
O educador social carrega em si a força das raízes e o brilho da descoberta.
Vem da terra e do tempo, da cultura e do canto,
da arte que encanta, do esporte que une,
da palavra que cura e aproxima.
É ponte entre gerações, entre o saber acadêmico e o saber popular.
Onde chega, acende curiosidades, desperta talentos,
faz da sala de aula um território de vida.
Ao lado dos professores, cria espaços de trocas, de escutas, de invenções.
Transforma o currículo em correnteza viva,
onde cada estudante pode nadar no seu ritmo,
descobrir sua força, encontrar seu brilho.
As estações do saber são seus jardins:
ali florescem risos, gestos, memórias e sonhos.
Ali o aprender ganha corpo, som, cor e sentido.
Porque o educador social não ensina apenas –
ele inspira, acolhe, desperta e transforma.
Seu trabalho é simples e grandioso:tecendo encontros, alimentando esperanças,
dando voz a quem o mundo muitas vezes calou.
Seu ofício é o de quem acredita que educar é um ato de amor e resistência.
E assim, em Lagedo do Tabocal,
a cada ano, novas mãos se unem a essa missão.
A gestão abre caminhos, ouve histórias,
seleciona corações dispostos a semear.
Vêm formações, partilha, desafios,
mas o que realmente pulsa é o compromisso:
ser presença viva onde o aprender precisa florescer.
São eles que, em meio às letras e aos sonhos,
lembram à escola que a vida também ensina –
e que toda aprendizagem começa quando alguém acredita.
Seu trabalho é como o de um artesão do vento,
que, com paciência e simplicidade,
entrelaça fios de cores, texturas e sentidos.
Cada fio guarda uma história de vida,
um saber nascido da prática,
uma esperança tecida na vontade de transformar.
Nesse entrelaçar de sonhos e saberes,
o desejo de um futuro melhor
encontra abrigo no fazer educativo.
Assim, o educador social se revela
como agente de transformação —
aquele que ressignifica trajetórias
e abre caminhos onde antes havia muros.
O educador social tece, com mãos firmes e coração aberto, a trama de uma sociedade mais justa, solidária e humana, onde cada vida tem valor e cada pessoa tem o direito de escrever, com dignidade, a sua própria história.
REFERÊNCIAS
LAGEDO DO TABOCAL. Lei nº 458, de 5 de novembro de 2024. Estabelece a implantação e implementação da Política Municipal de Educação Integral em Tempo Integral na Rede Pública Municipal de Educação de Lagedo do Tabocal-BA, e dá outras providências. Lagedo do Tabocal, Diário Oficial do Município, [2024]. Disponível em: www.lagedodotabocal.ba.gov.br/
Handler.ashx?f=f&query=5b0cd4e7-9618-4410-98b9-9dc5134596fb.pdf.
TEIXEIRA, Anísio. Educação para a Democracia. Rio de Janeiro: Livraria J. Olympio, 1936.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE LAGEDO DO TABOCAL (BA): @sec_de_educacao_lt
ESCOLAS CITADAS NO TEXTO:
Escola Municipal Antônio Carlos Magalhães:
Escola de Educação Infantil Mãe Preta:
@escolamaepreta_tempo_integral
Escola Municipal Antônio Pedral:
Escola Municipal Álvaro Vasconcelos Fagundes:
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE LAGEDO DO TABOCAL (BA): www.instagram.com/sec_de_educacao_lt
ESCOLAS CITADAS NO TEXTO:
Escola Municipal Antônio Carlos Magalhães:
www.instagram.com/escola_acm_2021
Escola de Educação Infantil Mãe Preta:
www.instagram.com/escolamaepreta_tempo_integral
Escola Municipal Antônio Pedral:
www.instagram.com/escola_antonio_pedral
Escola Municipal Álvaro Vasconcelos Fagundes: