
Uma das ações estratégicas, para assegurar qualidade e equidade na oferta de Jornada Escolar de Tempo Integral, do Ministério da Educação (MEC), é a iniciativa Experiências Inspiradoras de Gestão e Projetos Pedagógicos de Educação Integral em Tempo Integral, parte da assistência técnica prevista na Portaria nº 2.036 (Brasil, 2023).
Realizada por meio da parceria entre o MEC e a Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), integrada ao grupo TEIA – Territórios, Educação Integral e Cidadania, a iniciativa conta com diferentes ações para mapear, reconhecer e valorizar práticas inspiradoras na implementação da Política de Educação em Tempo Integral, na perspectiva da Educação Integral.
Dentre 738 mapeadas via Edital, foram escolhidas 25 experiências inspiradoras para compor o Caderno de Narrativas. Conheça as iniciativas.


O desenvolvimento integral é prioridade nacional. Como política prioritária do 3º mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sob comando do Ministro Camilo Santana, nós assumimos, em 2023, um grande desafio: transformar a realidade da Educação Integral, no nosso país.
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Para tanto, partimos do reconhecimento de que a própria história de formação do Estado Brasileiro, marcada por desigualdades estruturais, regionais e socioeconômicas, se desdobra em barreiras sistêmicas – como o racismo e suas diversas manifestações – que condicionam o acesso, a permanência e a qualidade da educação para milhões de estudantes em todo o país. Com isso, garantir o desenvolvimento integral é, portanto, fundamental para contribuir para a formação de cidadãs(ãos) críticas(os), criativas(os) e conscientes.
O Brasil não podia mais esperar. A Escola Pública precisava de uma Política Educacional viva e equitativa, capaz de enfrentar desigualdades ao olhar para todas as etapas, as modalidades e as múltiplas dimensões do desenvolvimento integral de crianças, jovens e professoras(es), em todo o país. É nesse sentido que, ancorada na potência das redes e na realidade dos territórios, o Programa Escola em Tempo Integral (ETI) se consolida, ao longo dos últimos três anos, como a maior Política de Educação Integral do país.
Desenvolvimento integral
Para mim, e para todas(os) nós da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC), garantir o desenvolvimento integral vai muito além da ampliação da jornada. É nas histórias de estudantes, professoras(es), gestoras(es) e profissionais de educação que se revela nossa potência e que se constroem visões de mundo: sob as copas das árvores, nas grandes metrópoles, nos barcos que transportam as(os) estudantes ribeirinhas(os), nos grêmios estudantis, nas hortas comunitárias, nas aulas de música e robótica, nas danças dos povos originários, nas rádios escolares, na merenda feita com alimentos regionais, nas obras literárias de autoras(es) locais, nos materiais e nas formações das(os) professoras(es).
É na intersetorialidade construída, a partir dos territórios, que se fortalece uma política que reflete o que o povo brasileiro tem de melhor: sua diversidade.
A Política de Tempo Integral
Hoje, a Educação Integral conta com uma estrutura robusta e consolidada. Por meio do apoio técnico e financeiro, e com o envolvimento das Redes, dos Comitês Estaduais e Municipais, da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da Rede de Articuladores da Escola em Tempo Integral (RENAPETI), fortalecemos o regime de colaboração e construímos um arranjo de governança inédito para a Educação Integral, em todo o país.
Ampliamos o acesso, induzimos a criação de mais de 1,8 milhão de novas matrículas e mobilizamos os Estados e Municípios a instituírem suas próprias Políticas de Educação Integral. Hoje, 90,5% dos municípios dos 5.154, que pactuaram matrículas com a União, todos os Estados e o Distrito Federal, contam com Políticas de Educação Integral. Antes de 2023, eram apenas 17%.
Tudo isso, com o olhar atento à qualidade. Aprovamos, no Conselho Nacional de Educação (CNE), as Diretrizes Operacionais Nacionais para a Educação Integral em Tempo Integral na Educação Básica, garantindo que tivessem a cara do Brasil.
Guiados por um olhar sistêmico, conectado às demais políticas e Programas da SEB e às ações de outras secretarias do MEC, e de forma intersetorial com iniciativas conjuntas com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), avançamos na indução do acesso com qualidade e equidade, em todo o país.
É com muita alegria que celebramos, este ano, um avanço importante para a educação brasileira. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que o país alcançou 25,8% de matrículas em Tempo Integral na rede pública de Educação Básica, superando a meta prevista no Plano Nacional de Educação (2014–2024). Esse resultado expressa o esforço conjunto de Estados, Municípios e União para ampliar o acesso à Educação Integral em todo o país. Mais do que um indicador, trata-se de um marco que amplia as oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento para milhões de estudantes. É, também, um sinal de que estamos avançando na construção de uma escola pública mais justa e com mais oportunidades para nossas crianças e jovens.
Com isso, estamos promovendo uma verdadeira mudança de paradigma para a Educação Integral no Brasil.
Caderno de Narrativas
Assim, o Programa ganha vida com as pessoas que estão na ponta, sendo as verdadeiras protagonistas dessa grande história. As 25 experiências do Caderno de Narrativas abrem uma janela para novos horizontes, conectando-nos aos territórios e reforçando o que há de mais potente na Política de Educação Integral: o desenvolvimento integral em todas as suas dimensões.
Intersetorial, transversal e profundamente enraizada aos territórios. Que cada história, aqui registrada, sirva de inspiração — e que possamos seguir firmes, garantindo o direito ao desenvolvimento integral de estudantes e jovens em todo o Brasil.
Um abraço integral,
Kátia Schweickardt
Secretária Nacional de Educação Básica


Desde 2014, quando a série histórica do cumprimento da Meta 06, do Plano Nacional de Educação (PNE), passou a ser monitorada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil apresenta irregularidades na oferta da Política de Ampliação da Jornada Escolar de Tempo Parcial para Tempo Integral. Exceto as concentrações de oferta na creche/Educação Infantil e Ensino Médio, o país encontrava-se com a política descontinuada, em nível nacional, a despeito dos esforços de Estados e Municípios.
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Em 2023, por meio do Programa Escola em Tempo Integral – instituído pela Lei nº 14.640 (Brasil, 2023), como estratégia do Ministério da educação (MEC), coordenado pela Secretaria de Educação Básica (SEB), para apoiar financeira e tecnicamente Municípios, Estados e Distrito Federal (DF) na criação de matrículas de Tempo Integral em todas as etapas e modalidades da Educação Básica -, houve a retomada do crescimento das matrículas na Educação Básica. Os dados do Censo Escolar 2025 destacam que o percentual de matrículas em Tempo Integral cresceu 10,7 pontos percentuais na rede pública de ensino durante o período de 2021 a 2025, passando de 15,1% para 25,8%, atingindo a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024.
Contudo, a Lei nº 14.640 (Brasil, 2023) não é apenas um mecanismo de criação de matrículas, ela estabelece que a expansão da oferta de Tempo Integral esteja alinhada à Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017), à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Brasil, 1996) e à perspectiva da Educação Integral, priorizando
estudantes em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica.
Para assegurar que a ampliação da Jornada Escolar de Tempo Integral garanta o desenvolvimento pleno de todas(os) as(os) estudantes, o MEC, por meio da Portaria nº 1.495 (Brasil, 2023), convocou as Secretarias de Educação a institucionalizar Políticas de Educação Integral em Tempo Integral, em nível local. Como demonstrado no monitoramento deste requisito, com base nos dados do Sistema Integrado de Monitoramento, Controle e Execução (Brasil, 2025), entre os anos de 2023 e 2025, 90,5% dos municípios dos 5.154, que pactuaram matrículas com a União, todos os Estados e o Distrito Federal, formularam uma Política de Educação em Tempo Integral, na perspectiva da concepção e da prática da Educação Integral.
Como demonstrado no monitoramento deste requisito, com base nos dados do Sistema Integrado de Monitoramento, Controle e Execução, entre os anos de 2023 e 2025, 90,5% dos municípios dos 5.154, que pactuaram matrículas com a União, todos os Estados e o Distrito Federal, formularam uma Política de Educação em Tempo Integral, na perspectiva da concepção e da prática da Educação Integral.
Para além da expressiva mobilização e engajamento, a institucionalização de Políticas de Educação Integral, nos últimos anos, é o contexto que sustenta as 25 experiências a serem melhor conhecidas neste Caderno de Narrativas.
Caminhos trilhados pelo Caderno das Experiências Inspiradoras
Uma das ações estratégicas, para assegurar qualidade e equidade na oferta de Jornada Escolar de Tempo Integral, do Ministério da Educação, é a iniciativa Experiências Inspiradoras de Gestão e Projetos Pedagógicos de Educação Integral em Tempo Integral, parte da assistência técnica prevista na Portaria nº 2.036/2023.
A iniciativa é ancorada em duas premissas: na necessidade e compromisso em fortalecer concepções e práticas de Educação Integral que reconheçam estudantes como pessoas com direitos de aprendizagens e desenvolvimento pleno; e na articulação de tempos, espaços, saberes, culturas e territórios. Resultante da parceria formalizada por meio de Termo de Execução Descentralizada nº 14.957/2024, entre o Ministério da Educação e a Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), integrada ao grupo TEIA – Territórios, Educação Integral e Cidadania, a iniciativa conta com diferentes ações para mapear, reconhecer e valorizar práticas inspiradoras na implementação da Política de Educação em Tempo Integral, na perspectiva da Educação Integral.
Na sequência, TEIA/FAE/UFMG e a SEB/MEC realizaram o chamamento público por meio do Edital nº 02/2025, o qual mobilizou redes de todas as regiões do país a apresentarem suas experiências na instituição e implementação da Política de Educação em Tempo Integral. Foram contempladas diferentes etapas e modalidades de execução, atravessadas por distintas realidades socioterritoriais como grandes cidades, áreas rurais, comunidades tradicionais, contextos urbanos, aldeias, quilombos e pequenos municípios. Neste edital, 738 experiências foram selecionadas e estão contempladas no Mapa de Experiências Inspiradoras em Educação Integral.
Das propostas mapeadas, foram escolhidas 25 experiências que puderam aprofundar suas práticas neste Caderno de Narrativas. Cada uma delas traduz, à sua maneira, um modo de compreender a Educação Integral em Tempo Integral como projeto de mundo: um gesto político, ético e pedagógico, fundado na garantia de direitos, no compromisso com a vida e com a justiça social e na valorização da diversidade brasileira.
Essa escolha se baseou em uma concepção de Educação Integral que considera as(os) estudantes em sua integralidade, envolvendo as dimensões física, emocional, social, cognitiva, étnica, racial, cultural e política e, também, a diversidade de corpos, ritmos, linguagens, modos de ensinar, de aprender e de participar.
Por isso, foram destacadas experiências que integram tempos, espaços e saberes, rompem com a fragmentação do currículo e fortalecem vínculos entre escola, família e comunidade. Ao reunir essas experiências, a iniciativa busca produzir memória da política pública, repertório para formação de equipes e inspiração para as demais Redes de Ensino na consolidação e fortalecimento da Educação Integral em Tempo Integral, na contemporaneidade.
A produção do Caderno
Definidas as 25 experiências, teve início a organização da produção do Caderno. A primeira etapa foi selecionar as equipes que colocariam “a mão na massa”. Compreendendo a escrita de uma experiência como um campo de trabalho e buscando não reproduzir a dicotomia, muito comum em projetos de educação, entre aquelas(es) que pensam ou formulam e aquelas(es) que executam, as equipes foram compostas por pesquisadoras(es) indicadas(os) pelas Redes e escolas com experiências selecionadas, as(os) pesquisadoras(es) do território, e pesquisadoras(es) convidadas(os), por sua experiência e conhecimento sobre a Política de Educação em Tempo Integral. Completando o grupo, foram selecionadas(os), também, bolsistas de apoio, ou seja, estudantes de Graduação e Pós-Graduação indicadas(os) pela equipe de pesquisadoras(es) do Edital.
Organizadas as equipes, foi definido como objetivo da pesquisa de campo identificar, nas experiências visitadas, elementos que pudessem inspirar outras Redes de Ensino a sonhar, qualificar e transformar suas políticas e práticas de Educação Integral em Tempo Integral.
A partir daí, foram promovidos vários encontros virtuais para formação e trocas entre as equipes. A cada encontro, foram definidas posturas, identificadas preocupações e desafios e construídos consensos sobre a produção da escrita das experiências.
Nos encontros de formação, também foram debatidas as ferramentas de pesquisa para conhecer, mais profundamente, o território, a realidade das Redes de Ensino e a experiência relatada. Entre estes instrumentos, destacam-se os grupos de diálogo, as entrevistas narrativas, os desenhos, as fotografias, os mapas afetivos, os diários de bordo…
Para trilhar o caminho das narrativas, foram definidos, coletivamente, alguns compromissos para o processo de imersão: a sensibilidade no olhar, deixando certezas e verdades de lado; o exercício da escuta, ouvindo mais do que falando; e a observação participante, desfrutando do tempo de estar, viver e conviver no território.
Essa imersão trouxe, então, histórias contadas pelas vozes de crianças, jovens, mães, pais, moradoras(es), educadoras(es), gestoras(es); histórias ilustradas por imagens; histórias despertas pela observação; histórias que mostram desafios, problemas e contradições da experiência; histórias vivenciadas a partir das emoções e sensações.
Transformar a experiência vivida em texto foi o último desafio. Como colocar em páginas os encontros com professoras e professores na escola, as brincadeiras com as crianças na praça, as caminhadas guiadas pelo bairro, as conversas com as mães depois das aulas, a participação nas feiras de ciências e nas oficinas de música, as rodas de conversa com adolescentes, o conhecimento de mestras e mestres de saberes populares, a alegria de ver um pôr do sol, a emoção de vivenciar experiências tão potentes e inspiradoras?
O resultado foi a escrita de textos carregados de vida, construídos a muitas mãos e muitas vozes que, espera-se, possam ser inspiração para todas e todos que teimam em acreditar que outra educação é possível e lutam por um mundo mais justo, democrático e dialógico, no qual a Educação Integral em Tempo Integral não é apenas um conceito, mas uma realidade viva e pulsante.
As escolhas editoriais visando à acessibilidade
Para a elaboração do Caderno de Narrativas, a equipe buscou, para além do cuidado e afeto na produção dos textos, definir um caminho editorial a fim de que o projeto gráfico – contemplando as cores, grafismos e fotografias -, se tornassem também ferramentas vivas de registro e memória, traduzindo a essência das práticas de Educação Integral em seus múltiplos contextos brasileiros.
O propósito é favorecer uma experiência de leitura fluida e inclusiva para todas e todos, garantindo a acessibilidade ao material. Desta forma, apresentamos um panorama que descreve a atmosfera e os padrões visuais que compõem esta obra:
SOBRE AS FOTOGRAFIAS
Representatividade, diversidade e inclusão: As imagens compõem um mosaico da pluralidade étnico-racial brasileira. Em sintonia com os dados censitários, as fotografias retratam rostos e corpos que manifestam as particularidades de cada região do país, evidenciando o protagonismo de estudantes identificadas(os) — conforme as categorias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — como pretos, pardos, brancos, amarelos e indígenas. Os registros também contemplam estudantes com deficiência, em situação de migração e/ou itinerância e quilombolas.
Para além do público discente, as cenas revelam a densa rede de proteção que sustenta o cotidiano de escolas e creches. Estão presentes famílias, lideranças comunitárias, integrantes de organizações da sociedade civil e profissionais de diversas políticas públicas, como saúde, assistência social e cultura.
Identidade escolar e contextual: O vínculo institucional é frequentemente sinalizado pelo uniforme padrão — camiseta branca com brasão colorido. Contudo, a narrativa visual respeita o tempo e o rito de cada território: em momentos de celebração ou vivências comunitárias, as vestimentas dão lugar a trajes tradicionais, adornos e identidades locais, enriquecendo a estética da Educação Integral com as cores de cada cultura.
Territórios educativos: As fotografias nos conduzem por uma vasta geografia do aprendizado. As cenas transitam entre os prédios das escolas e os territórios de resistência, abrangendo áreas rurais, regiões litorâneas, ocupações urbanas, comunidades quilombolas e aldeias indígenas. Em todas elas, o campo e a cidade são retratados como espaços educadores.
Linguagem corporal, interações e dinamismo: A linguagem corporal — expressa em gestos, movimentos e olhares — revela o envolvimento genuíno nas ações pedagógicas. Seja no asfalto ou na terra, em aldeias ou assentamentos, as posturas das(os) sujeitas(os) comunicam diálogo, escuta e o protagonismo inerente aos processos de aprender e ensinar em coletividade.
SOBRE O PROJETO GRÁFICO E IDENTIDADE VISUAL
O design foi concebido para espelhar a organicidade das narrativas descritas:
Composição e formas: O layout é atravessado por formas fluidas e orgânicas, como ondas e manchas em tons suaves de amarelo, vermelho, azul e verde. Esses elementos emolduram textos e fotos, evocando a natureza e a espontaneidade dos encontros.
Tipografia e legibilidade: Utilizam-se fontes sem serifa, limpas e de tamanho generoso, com variações de peso (negrito) e contrastes cromáticos que organizam a leitura de forma acolhedora.
Integração de ilustrações: Traços finos integram pessoas e objetos do cotidiano às páginas. Um exemplo é o mascote “Caramelo”, da experiência de Indaial (SC), desenhado sobre elevações de terreno, que pontua o lúdico e a identidade territorial da obra.
Navegação e estrutura: Botões de orientação (“Início”, “Temáticas”) e identificadores de sessão ocupam lugares fixos, servindo como ancoragem espacial para a(o) leitora(r).
Uso das fotografias: As imagens são imersivas, muitas vezes ocupando páginas inteiras e fundindo-se ao grafismo, convidando quem lê a sentir-se parte do território apresentado.
DINÂMICA DAS DESCRIÇÕES DAS IMAGENS
Considerando este panorama geral, as descrições de cada fotografia são sintéticas, focando na ação central e nos detalhes singulares de cada cena. A descrição de raça e etnia guia-se por princípios de audiodescrição ética e diretrizes de acessibilidade.
A abordagem adotada prioriza a objetividade e o profundo respeito à autodeclaração, compreendendo que a identidade é um direito de personalidade único. As informações específicas de localidade e autoria estão preservadas nas legendas textuais que acompanham cada registro.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Presidência da República, [1996]. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, [2014]. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/ lei/l13005.htm. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: Ministério da Educação / Conselho Nacional da Educação / União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, [2017]. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Lei nº 14.640, de 31 de julho de 2023. Institui o Programa Escola em Tempo Integral; e altera a Lei nº 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, a Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, e a Lei nº 14.172, de 10 de junho de 2021. Brasília: Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/ Lei/L14640.htm. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Portaria nº 1.495, de 2 de agosto de 2023. Dispõe sobre a adesão e a pactuação de metas para a ampliação de matrículas em tempo integral no âmbito do Programa Escola em Tempo Integral e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, [2023]. Disponível em: https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/ programas_suplementares/educacao-basica/ portaria-no-1-495-de-2-de-agosto-de-2023. pdf/. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Portaria nº 2.036, de 23 de novembro de 2023. Define as diretrizes para a ampliação da jornada escolar em tempo integral na perspectiva da educação integral e estabelece ações estratégicas no âmbito do Programa Escola em Tempo Integral. Brasília: Diário Oficial da União, [2023]. Disponível em: https://www.in.gov.br/ en/web/dou/-/portaria-n-2.036-de-23-de-novembro-de-2023-525531892. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Lei nº 14.934, de 25 de julho de 2024. Prorroga, até 31 de dezembro de 2025, a vigência do Plano Nacional de Educação, aprovado por meio da Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Brasília: Câmara dos Deputados, [2024]. Disponível em: https://www2.camara. leg.br/legin/fed/lei/2024/lei-14934-25-julho- 2024-795997-publicacaooriginal-172483-pl.html. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Projeto de Lei nº 2.614, de 2024. Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2024-2034. Brasília: Presidência da República, [2024]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ CCIVIL_03/Projetos/Ato_2023_2026/2024/PL/ pl-2614.htm. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (SIMEC). Brasília, 2025. Disponível em: https://simec.mec.gov.br/. Acesso em: 12 fev. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (Inep). Censo Escolar da Educação Básica 2025. Brasília: Inep, 2025. Disponível em: https://download.inep.gov.br/censo_escolar/resultados/2025/
apresentacao_coletiva.pdf. Acesso em: 11 março. 2026.



As 25 histórias do Caderno de Narrativas integram o Mapa de Experiências, uma plataforma com informações de 738 iniciativas de Educação Integral em Tempo Integral de todo o país.

Para contar essas diferentes histórias, de Norte a Sul do país, passando por 18 Estados e por todas as regiões do Brasil, as 25 experiências foram agrupadas em quatro temáticas inspiradoras. A narrativa se torna, assim, ainda mais conectada aos princípios da Educação Integral e permite uma leitura que desperta para os caminhos possíveis trilhados pelas Escolas e Redes de Ensino:
REFLEXÕES FINAIS

Quando pensamos na ideia de experiências inspiradoras, pensamos na palavra“ inspiração” em seus vários sentidos. Inspirar significa “soprar para dentro”. É como um fôlego vital, algo que anima e mobiliza. Assim, experiências inspiradoras, aqui apresentadas, são sopros de vida e de movimento, muito além de meros modelos a serem seguidos. Inspirar e ser inspirada(o) é um movimento de mão dupla: enquanto conhecemos a experiência da(o) outra(o), também nos reconhecemos nela e nos transformamos. A inspiração é também força mobilizadora de saberes, de modos de fazer, de sensibilidades, de beleza e imaginação. Uma forma de esperançar, nas palavras do educador Paulo Freire. Agir para transformar realidades!
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A Educação Integral, como inspiração, é muito mais que um modelo pedagógico. É uma concepção de mundo e de Educação. Ela parte do reconhecimento de que bebês, crianças, adolescentes e jovens são sujeitas(os) de direitos, dotadas(os) de saberes, culturas, trajetórias, desejos e necessidades diversas. Educar de forma integral é promover o desenvolvimento pleno, articulando dimensões cognitivas, emocionais, sociais, culturais, físicas e éticas, garantindo que cada estudante se reconheça como sujeita(o) ativa(o) de sua comunidade e da sociedade.
Esta concepção fundamenta o Programa Escola em Tempo Integral (ETI) do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa parte da indução à criação de matrículas de Tempo Integral na Educação Básica. Mas não se restringe à ampliação de vagas, pois entende o desenvolvimento integral como um direito constitucionalmente assegurado. Assim, o ETI procura assegurar direitos para todas(os) estudantes e diminuir as enormes desigualdades escolares e sociais que existem no país, especialmente para pessoas e comunidades em condições de maior vulnerabilidade social.
As 25 experiências de Redes Públicas, relatadas neste Caderno, representam todas as regiões do país e participaram ativamente das diferentes ações do Programa Escola em Tempo Integral. São inspirações para todas e todos que buscam um Brasil mais justo, pacífico, democrático e diverso, por meio da Educação.
Em muitas Redes, a inspiração está na forma como a gestão pública se organiza para garantir a participação de estudantes, professoras(es) e comunidades na construção e no desenvolvimento da Política de Educação Integral. Estas experiências nos mostram que não há Educação Integral sem gestão democrática, valorização e protagonismo de professoras (es) e equipes técnicas, além de estudantes e suas famílias, na tomada de decisões. Também nos revelam experiências nas quais a escola se conecta a uma Rede de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes, em uma perspectiva intersetorial.
Em outras Redes, vemos as Artes, as Ciências, o Esporte e a Cultura se encontrarem em propostas de uma educação mais criativa. É uma educação que se funda nos encontros intergeracionais e nas múltiplas formas de brincar, de fazer música, de apreciar cinema, de ouvir e contar histórias, de se conectar com a terra e com a natureza, de aprender sobre robótica ou programação, sempre para ler, escrever, interpretar e cuidar do mundo. Redes que colocam a Cultura como eixo da ação pedagógica, criando espaços éticos e estéticos de troca e de ampliação dos horizontes individuais e coletivos. Nelas, o currículo é vivo, integrado e integrador de vivências e experiências.
Em outras experiências, a escola é parte do território e o território é parte da escola; território entendido como um conjunto de relações, memórias, circulações, afetos, diversidade e desigualdades a serem enfrentadas. Elas revelam que a Educação Integral só acontece quando a porta da escola se abre para o bairro, a praça, o centro cultural, a rua, o campo, o rio, a mata — e quando esses lugares entram de forma integrada a um currículo vivo. Isso significa superar a fragmentação do conhecimento, conectando saberes escolares e comunitários, teoria e prática, tradição e tecnologia, transformando a escola em um pólo de irradiação cultural.
Muitas experiências, aqui relatadas, apresentam propostas que buscam superar as enormes desigualdades escolares e sociais que existem no Brasil, para que este direito possa ser de todas(os). Em um país marcado por profundas e persistentes desigualdades econômicas e sócio-raciais, a opressão, para muitos grupos sociais, aparece na forma de racismo e discriminação cultural, e ainda violação e privações socioeconômicas. Assim, ampliar a Jornada Escolar de Tempo Integral pode ser estratégia de reparação — oportunidade de proteger e de prevenir violências e violações de direitos, valorizar ancestralidades, memórias, estéticas, práticas culturais, modos de ser e de aprender que constituem as infâncias, as adolescências e as juventudes brasileiras.
Também não há como falar de Educação Integral como direito sem falar de inclusão. Algumas Redes mostram como abandonaram um modelo de segregação entre pessoas para transformar a escola em espaço de inclusão de todas e todos. Isso implicou garantir acessibilidade física e comunicacional, presença de profissionais de apoio, equipe multidisciplinar, escuta das famílias e construção de estratégias pedagógicas que consideram diferentes ritmos, modos de aprender e ensinar, apostando na pedagogia da diferença, reconhecendo singularidades e valorizando o potencial das(os) estudantes.
Muitas são as inspirações que este Caderno pode trazer. Com ele, esperamos que essas narrativas possam fortalecer e aprimorar a oferta de Educação Integral em Tempo Integral como uma política pública estruturante para a garantia do direito humano à educação, assegurando inclusão educacional, equidade, participação, justiça curricular e aprendizagem com qualidade social.

Ficha técnica
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Camilo Santana
Secretaria de Educação Básica
Kátia Helena Serafina Cruz Schweickardt
Diretoria de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica
Tereza Santos Farias
Coordenação-Geral de Educação Integral e Tempo Integral
Aline Zero Soares
Técnica em Assuntos Educacionais
Francisca Aline Santana
Revisão Técnica
Raquel Franzim
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Sandra Regina Goulart Almeida
Faculdade de Educação
Andrea Moreno
EQUIPE TEIA Territórios, Educação Integral e Cidadania
Coordenação Geral da iniciativa Experiências Inspiradoras em Educação Integral
Levindo Diniz Carvalho
Juliana Batista dos Reis
Apoio de coordenação
Danilo Marques Silva
Coordenadores adjuntos
Augusta Aparecida Neves de Mendonça
Bárbara Bruna Moreira Ramalho
Deise Rosalio Silva
Juliana de Fátima Souza
Lúcia Helena Alvarez Leite
Luciana Maciel Bizzotto
Mara Catarina Evaristo
Patrícia Moulin Mendonça
Raiana Araujo Ribeiro
Comunicação
Natália Cristina Vieira
Lorena Maia
Equipe administrativa
Gabriel Silva Arruda
Francielly Cristina Ribeiro
Silvia Amélia Gonçalves Guimarães Castro
Sílvia Maria de Miranda
Talita Gabriela de Oliveira Ribeiro
Bolsistas
Ana Luiza Teixeira Carvalho
Camila Freitas Gomes
Elis Rockenbach
João Gabriel Soares da Cunha
Jessica Meira
Lorrany Valeriano
Maria Luiza de Araújo Aleixo
Moisés da Silva Antunes
Sabrina Miranda
Talita Ferreira Campos Vaz
CADERNO DE NARRATIVAS
Concepção e organização
Augusta Aparecida Neves de Mendonça
Levindo Diniz Carvalho
Lúcia Helena Alvarez Leite
Mara Catarina Evaristo
Edição
Daniele Próspero
Revisão
Ana Oliveira
Lilian Romão
Maria Victória Oliveira
Projeto gráfico e ilustrações
Marcela Weigert Braga
Site
Elano Collaço
Autoras(es) dos textos das 25 experiências
POLÍTICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL, GESTÃO E INTERSETORIALIDADE
Lagedo do Tabocal (BA)
Ana Beatriz Goulart de Faria, Cláudia Cristina Pinto Santos, Elzeni Damasceno de Souza, Ivonete Araújo de Sena e Juliana Souza Machado dos Santos
Apucarana (PR)
Adilene Nogueira Ferreira Ananias, Elaiz Buffon, Elsio José Corá, Pablo Costa e Silva e Thiago Dutra de Camargo
Santa Inês (BA)
Ana Cláudia Jesus Cerqueira Peixoto, Ana Vitória Cardoso dos Santos, Bárbara Nascimento Lima, Bárbara Ramalho e Talita Gabriela de Oliveira Ribeiro
Presidente Prudente (SP)
Aline Pereira da Silva Feba, Elaiz Buffon, Elisa Magalhães Celos, Elsio José Corá e Flávia Osório
Poços de Caldas (MG)
Ana Luiza Pereira Dias, Ana Maria Lobo de Carvalho, Áurea Cristina Mendes Nogueira, João Paulo Mariano Domingues e Maria Clemência de Fátima Silva
Araguatins (TO)
Álida Angélica Alves Leal, Luciana da Costa Dias, Maria Aparecida Martins da Silva Nogueira, Paulyane do Nascimento Ramos e Sulivan Ferreira Campos de Souza
Rede Estadual do Ceará (CE)
Ana Paula Nogueira, Marta Azevedo Klumb Oliveira, Matheus Rodrigues Dutra Bernardo, Paulo Eugênio Rifane de Sousa e Silvia Maria Leite de Almeida
CURRÍCULO INTEGRADO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARTICIPATIVAS
Nova Santa Rita (RS)
Álida Angélica Alves Leal, Ana Paula Zanettin, Ana Luiza Teixeira Carvalho, Camila Martins Grellt, Fabiana Coutinho Oliveira Indruczaki Souza e Isabel de Oliveira e Silva
Indaial (SC)
Claudia Leytchele Imme Atanazio, Dayse Canesso Maciel, Kassiane dos Santos Oliveira, Patrícia Moulin Mendonça e Vitor Arthur Dietrich
Porto Alegre (RS)
Fernanda Calsing, Isabel de Oliveira e Silva, Julia Marina Azambuja dos Santos, Levindo Diniz Carvalho e Lídia de Paula Ferreira Teixeira
Barra Mansa (RJ)
Angela da Costa Soares, Carlos Antônio Diniz Júnior, Luana Chaves de Farias, Lucas Ramos Martins e Marcela Vieira Rezende
Rio de Janeiro (RJ)
Carlos Antônio Diniz Junior, Danielle Alves Martins, Elizabeth de Lima Gil Vieira, Letícia Coelho Barbosa e Luana Chaves de Farias
Rede Estadual do Piauí (PI)
Ana Maria Alves Saraiva, Francicleiton de Pinho Cardoso, Matheus Rodrigues Dutra Bernardo, Ramon Davys Angel Soares Barbosa Vieira e Silvia Maria Leite de Almeida
DIVERSIDADE, INCLUSÃO E EQUIDADE
São Gabriel da Cachoeira (AM)
Juvencio Cardoso (Dzoodzo Baniwa), Levindo Diniz, Lucinha Alvarez, Maicon Samoni e Saniwê Pataxoop
Pacaraima (RR)
Augusta Aparecida Neves de Mendonça, Bárbara Nascimento Lima, Bárbara Ramalho, Eliane dos Santos Rodrigues e Luciana de Oliveira Braga
Pocinhos (PB)
Ciely Melo Guedes Rodrigues Herculano, Danilo Macruz Inácio, Ricardo Henrique Medeiros Guimarães, Sirleine Brandão de Souza e Talita Ferreira Campos Vaz
São Miguel do Tapuio (PI)
José André Alves Lima, João Gabriel Soares da Cunha, Luana Tolentino, Lucinha Alvarez e Marcelli Cardoso
Nova Russas (CE)
Antonio Geraldo dos Santos, Camila Freitas Gomes, Francisco Diego de Sousa Gomes, Isabel de Carvalho Paiva, Luana Tolentino, Orlandil de Lima Moreira e Ronaldo Mesquita Castro
Codó (MA)
Bruna D’Carlo Rodrigues de Oliveira Ribeiro, Charliane Santos do Vale, Ítalo Diego Azevedo Muniz, Mara Catarina Evaristo, Moisés da Silva Antunes e Rosângela Ribeiro Almeida
TERRITÓRIOS, CULTURAS E SABERES
Teotônio Vilela (AL)
Augusta Aparecida Neves de Mendonça, José Roberto de Oliveira Santos, Lorrany dos Santos Valeriano, Luciana Maciel Bizzotto e Maria Djanete Marques
Oriximiná (PA)
Aparecida Luzia Alzira Zuin, Felipe de Almeida Alvarenga, Gerusa Vidal, Raimunda Lucineide Gonçalves Pinheiro e Luciene Maria da Silva
Itapissuma (PE)
Clêidna Lima, Kattianny Torres, Luana Campos e Silva, Maria Luiza de Araújo e Robson Almeida
Cidade Ocidental (GO)
Amanda Carvalho Guimarães, Dayane Holanda de Sousa, Iolene M. Lobato, Jamilla Salviano da Silva e Lucinha Alvarez
Belo Horizonte (MG)
Flávia Lucimar Batista da Luz, Julia Santos Soares, Juliana Batista dos Reis, Marcelle Triginelli Azzi e Paulo Felipe Lopes de Carvalho
Santos (SP)
Letícia Barcellos, Luciana Maciel Bizzotto, Márcia Calçada, Natália Cristina Vieira e Natália Fraga Carvalhais Oliveira



