Por Carlos Antônio Diniz Junior, Danielle Alves Martins, Elizabeth de Lima Gil Vieira, Letícia Coelho Barbosa e Luana Chaves de Farias

Modelo de ensino inovador gera impactos positivos no processo de ensino-aprendizagem e na vivência escolar de estudantes e professoras(es).
Estudantes desenvolvendo atividade de programação na Escola Municipal Jean Mermoz.
Foto: Luana Chaves de Faria
A expansão da Educação em Tempo Integral (ETI), na cidade do Rio de Janeiro (RJ), foi realizada pela Secretaria Municipal de Educação (SME) sob duas perspectivas: Educação Integral e inovação. A intenção é superar desafios históricos, relativos à aprendizagem e ao fluxo escolar, em especial nos Anos Finais do Ensino Fundamental.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2023) apontam que 19,3% das(os) estudantes apresentam dois anos ou mais de atraso escolar — distorção idade-série —, e evidenciam os baixos índices de aprendizagem: apenas 43% das(os) estudantes têm desempenho adequado em Língua Portuguesa e 16% em Matemática. Na Rede Municipal do Rio de Janeiro, os números seguem a mesma tendência nacional, com 20,9% de distorção idade-série e apenas 19% de aprendizagem adequada em Matemática, nos Anos Finais.
Entre os fatores que contribuem para esse cenário, está a desconexão da escola e das práticas pedagógicas à realidade, às identidades e aos desejos das(os) estudantes. O modelo de ensino no qual a(o) estudante é mera(o) espectadora(or) desengaja e gera infrequência, abandono e evasão escolar, além de acentuar as desigualdades de aprendizagem. Foi com o propósito de assegurar aprendizagem significativa e efetiva, que a SME expandiu as Escolas de Educação Integral em Tempo Integral, garantindo os direitos de aprendizagem, o desenvolvimento das(os) estudantes em suas múltiplas dimensões, o reconhecimento e a valorização da diversidade, bem como o fortalecimento da convivência democrática, em prol da equidade educacional.
“Antes era escola, agora é GET! A gente aprende construindo, fazendo, experimentando (…).”
Raquel Barbosa da Silva, 14 anos, estudante do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Nilo Peçanha

Apresentação de um protótipo de robô produzido pelas(os) estudantes da EM Quarto Centenário.
Foto: Luana Chaves de Faria

E sob essa perspectiva foi concebido, a partir de 2022, o Ginásio Educacional Tecnológico (GET), um modelo inovador de escola que engaja e promove a(o) estudante a protagonista do seu processo de desenvolvimento. Com o uso pedagógico da tecnologia, a partir da educação maker mão na massa, de metodologias ativas e da abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), o GET promove e potencializa a interdisciplinaridade, a criatividade, o pensamento crítico e a experimentação prática do conhecimento em projetos voltados à resolução de problemas reais.
Como resultados, os GETs visam inovar práticas pedagógicas, combater a infrequência, o abandono e a evasão escolar, reduzir as lacunas de aprendizagem, a distorção idade-série e as desigualdades entre alunas(os) e escolas. Também têm como foco desenvolver competências socioemocionais e digitais, promovendo o desenvolvimento integral das(os) estudantes em todas as suas dimensões (intelectual, física, emocional, social, digital e cultural) e melhorando a aprendizagem.

O PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO:
GOVERNANÇA ROBUSTA E ESCUTA TERRITORIAL
Para garantir a implementação e a expansão coerente da política, a SME-Rio adotou um modelo de governança robusto, pautado na escuta territorial e em decisões estratégicas. O planejamento é realizado com base em estudos técnicos de viabilidade, análises longitudinais e georreferenciadas e projeções de custo, assegurando uma expansão eficiente e sensível às especificidades de cada território.
As inovações, na concepção pedagógica, são implementadas a partir do GET. A escalabilidade foi possível graças ao projeto-piloto, que começou com cinco escolas em 2022, por meio do Decreto nº 50.434 (Rio de Janeiro, 2022), posteriormente alterado pelo Decreto nº 53.939 (Rio de Janeiro, 2024). Inicialmente, o GET era denominado Ginásio Experimental Tecnológico.
No seu primeiro ano de vida, o modelo passou por estudos e ajustes contínuos, permitindo a identificação de desafios e o refinamento de soluções. Mas, com o modelo consolidado, a expansão ganhou velocidade: em 2023, já eram 77 unidades, e, em 2024, a rede contava com 202 GETs. Em 2025, são 275 unidades escolares contempladas.

A Educação em Tempo Integral do Rio de Janeiro foi expandida para 52% da Rede Municipal de Educação, totalizando, aproximadamente, 317 mil matrículas em Tempo Integral e a inauguração de 275 escolas GETs (Ginásio Educacional Tecnológico) no ano de 2025, atendendo cerca de 115 mil estudantes. Para saber mais sobre a implementação dos GETs, clique aqui.

Estudantes programando um protótipo de sinal de trânsito na EM Professor Lourenço Filho.
Foto: Luana Chaves de Faria
“A política, para nós, foi muito pensada na lógica do design thinking, no qual a gente desenvolve uma parte, prototipa, pilota, desenvolve e qualifica. Compreendemos que quando fizemos os primeiros cinco GETs foi um processo! Quando fizemos os 75, foi um processo melhorado. Depois, quando a gente fez 125, no outro ano, foi um outro processo. E, agora, a gente está fazendo mais 75 e, a cada vez, somamos mais elementos do aprendizado que a gente vivenciou, e vamos qualificando a política pública.”
Ana Clara Massoneto, Subsecretária de Inovação e Projetos Estratégicos da SME-Rio

REDES EM PROL DOS GETS:
GESTÃO, PARTICIPAÇÃO, INTERSETORIALIDADE E PARCERIAS
A gestão dos GETs é pautada em um modelo colaborativo, participativo e em constante diálogo entre as(os) diferentes atrizes(ores) da comunidade escolar e da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Esse modelo tem como princípio a gestão democrática e compartilhada, e articula, na gestão municipal, o Nível Central, as 11 Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) e as Unidades Escolares (UEs), de modo a pensar na implementação e no monitoramento das ações que intensificam essa política pública.
No nível central, o setor responsável pelos GETs é a Subsecretaria de Inovação e Projetos Estratégicos da SME-Rio, que exerce a função de planejamento, coordenação e monitoramento, garantindo a análise das formações continuadas, repensando os acordos de cooperação que devem ser firmados com instituições formativas e como se dá a continuidade do programa no acompanhamento das escolas.
Na gestão deste processo, o ponto focal de cada CRE é uma(um) atriz(or) fundamental para o escalonamento da iniciativa. Afinal, para que a política pública de fato seja realizada, é necessária a articulação constante entre o Nível Central e os CREs. Os pontos focais atuam diretamente na articulação entre o Nível Central e as escolas. Nesse sentido, a articulação entre as Unidades Escolares e os pontos focais incide diretamente no acompanhamento das práticas pedagógicas realizadas nas UEs.
Já na escola, a equipe gestora também exerce um papel fundamental no processo. É ela que faz o direcionamento necessário como liderança da unidade na implementação das inovações que ocorreram na escola, tanto no âmbito pedagógico, quanto no âmbito estrutural. A direção promove encontros formativos, propõe planejamento coletivo e revê o planejamento financeiro descentralizado para a implementação e transformação da escola em GET. Além disso, a equipe diretiva fomenta a participação da comunidade, desde a explicação da mudança da estrutura da escola, até mesmo na organização do planejamento e apresentação para a equipe diretiva e para a comunidade escolar.
As parcerias atuantes junto ao Programa preveem formação continuada para as equipes de profissionais, composta não somente por professoras(es), como também pelas equipes gestoras da Secretaria, das Coordenadorias Regionais e das Unidades Escolares. A ideia é escalar ao máximo a concepção dos GETs e preparar a todas(os) para lidar com os desafios da implementação da política, a fim de que a proposta seja factível e traga melhores resultados de aprendizagem para as(os) estudantes, e para que sejam capazes de lidar com as demandas da contemporaneidade.
A intersetorialidade e parcerias estabelecidas são elementos importantes para a Educação em Tempo Integral (ETI) dos GETs, pois se referem à colaboração com outros setores da sociedade, como Saúde, Assistência Social, Cultura e Esporte, a fim de articular as diversas políticas públicas, construindo uma rede de apoio necessária e sustentável para o enfrentamento dos desafios sociais e educacionais complexos.
ENTRE SABERES E FAZERES:
O COTIDIANO DO GETs
São cinco os elementos estruturantes que diferenciam o Ginásio Educacional Tecnológico das demais escolas da rede:
- Colaboratório;
- Componente curricular Projeto Integrador no Colaboratório (PIC);
- Co-docência com professoras(es) que lecionam o componente Projeto Integrador no Colaboratório (PIC) e a(o) Professora(or) Articuladora(or);
- Foco nas competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a BNCC Computação;
- Formações inovadoras, que se somam ao quadripé da Política Pedagógica da Rede, compondo a espiral virtuosa que tem deslocado positivamente a aprendizagem das(os) estudantes, como demonstram os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da Rede, em 2023, que cresceu de 5,0 para 5,2 nos Anos Finais do Ensino Fundamental.
Equipados com uma variedade de recursos didáticos tecnológicos e digitais, como impressora 3D (tridimensional), óculos VR (realidade virtual), kit robótica, kit audiovisual, computadores, máquina de costura, entre outros, os Colaboratórios são considerados o “coração” dos GETs. Seus espaços criam um ambiente propício para uma educação
“mão na massa”, colaborativa e interdisciplinar, na qual é possível desenvolver as competências gerais da BNCC e da BNCC Computação, de maneira integrada e visando fortalecer os objetivos de aprendizagem dos demais componentes curriculares, a partir da resolução de problemas da comunidade e da valorização dos saberes territoriais.
O uso prioritário do espaço do Colaboratório é destinado aos dois tempos de aula semanais do componente curricular do Projeto Integrador do Colaboratório (PIC), previsto na Matriz Curricular e ofertado para todas as turmas do Ensino Fundamental (1º ao 9º ano). A(O) professora(or) PIC é responsável pela regência da turma, pelo planejamento e implementação das sequências didáticas “mão na massa”.
Além da(o) professora(or) PIC, outra(o) profissional estratégica(o) do GET é a(o) Professora(or) Articuladora(or) (PA). A(O) PA é a(o) embaixadora(or) da concepção GET na escola, com a responsabilidade de multiplicar práticas pedagógicas inovadoras, apoiar as(os) docentes no uso dos equipamentos do Colaboratório e na integração de metodologias e tecnologias às sequências didáticas, projetos e atividades que atendam aos objetivos de aprendizagem dos demais componentes curriculares priorizados pelas(os) PICs e demandados por demais professoras(es) da escola.
Ambas(os) recebem formações continuadas oferecidas pela SME, por meio da Escola de Formação Paulo Freire e de parceiras(os) como MultiRio, Naves do Conhecimento, Universidade de Columbia e Universidade de Stanford, que garantem uma preparação sólida, teórica e prática para atuação nos Colaboratórios.
As(os) professoras(es) contam com material didático específico, com cadernos “GET na Prática” e “GET na Prática Matemática Criativa”, com repertório de sequências didáticas “mão na massa” e interdisciplinares.


Colaboratório da EM Jean Mermoz.
Foto: Luana Chaves de Faria

ARTICULAÇÃO COM O TERRITÓRIO:
RECONHECIMENTO DOS SABERES E FAZERES LOCAIS
Os espaços escolares, tão significativos para o programa dos GETs; o Colaboratório, assim como o currículo construído para tal proposta; e a concepção de Educação Integral impulsionam a articulação e inclusão dos quereres, saberes, fazeres e potências dos territórios.
O clima de curiosidade e de ansiedade por resolver uma questão, por decifrar um enigma, por estar juntas(os) é perceptível e traz pertencimento. Este desejo de estar na escola impulsiona o pertencimento, estimula a vontade e orienta interesses, elementos que favorecem a aprendizagem e possibilitam a construção de projetos de vida, com autonomia e protagonismo. A escola passa a ser conectada não a meros equipamentos, mas com o mundo em tudo que lhe é possível ter, ser, conhecer e viver.
A ambiência escolar é pensada a partir do que vem dos territórios em que os GETs se localizam e se constroem. O Colaboratório é um espaço garantidor e diferenciado, mas não é o único. Toda a proposta dos GETs consideram tempo e espaço como elementos primordiais para os resultados de aprendizagem e ambos têm uma conexão direta com os saberes, cultura e fazeres de seus territórios. A ideia é uma maior aproximação entre teoria e prática, com muitas atividades “mão na massa”. Assim, a aproximação entre a realidade das(os) educandas(os) e o mundo contemporâneo, com todos os desafios e demandas, é fator preponderante da política, capaz de tornar as(os) educandas(os) autônomas(os), críticas(os), reflexivas(os) e protagonistas.

Croqui de moda produzido por estudantes da EM Professor Lourenço Filho.
Foto: Luana Chaves de Faria
MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO:
FOCO NO APRIMORAMENTO DA POLÍTICA
Para a avaliação da política há uma escuta ativa de toda a comunidade escolar, a partir de visitas técnicas e do acompanhamento pedagógico das unidades. Para isso, é realizada coleta de dados quantitativos e qualitativos, por meio de diferentes metodologias, como: entrevistas com PAs e CPs; grupos focais com equipes gestoras e professoras(es); escuta ativa, por meio da dinâmica de trabalho Metaplan, com diretoras(es), PAs e agentes; além de grupos focais com estudantes e responsáveis.

“O GET tem como coração pulsante o Colaboratório, mas sua linha de pensamento não precisa acontecer apenas no espaço físico do Colaboratório, pois o desenvolvimento do pensamento lógico e computacional pode ocorrer em todos os espaços escolares, seja na sala de aula ou propriamente no ‘Colab’. Os professores planejam dentro das habilidades do ano escolar e iniciam aquela habilidade na sala de aula, isso perpassa pelo Colaboratório e assim surgem os projetos. É um trabalho conjunto, entre PIC e PA, em que as habilidades dos anos escolares são contempladas por meio do planejamento interdisciplinar. Então, esse trabalho acontece em todos os espaços: na aula de Artes, de Educação Física… é uma junção de todos da escola.”
Andreia Lucia Gavina Pereira, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Jean Mermoz

Um dos aspectos avaliados é a adequação dos espaços físicos das escolas, especialmente o espaço do Colaboratório. Na avaliação, é verificado se o Colaboratório ocupa um lugar de centralidade na escola e está organizado de forma a atender as demandas das(os) estudantes e articular as diferentes áreas de conhecimento. Por isso, os demais espaços físicos da escola também são avaliados, para perceber se estão articulados de forma a potencializar os projetos de pesquisa construídos e realizados pelas(os) estudantes no Colaboratório. Ou seja, ao mesmo tempo em que o espaço do Colaboratório deve acolher as diversas práticas que ocorrem na escola, é preciso avaliar se esse espaço também impulsiona outros projetos para além do seu interior.
Outra ação realizada é o monitoramento pedagógico, a partir de visitas, agendadas previamente, para avaliação dos diálogos dos projetos criados nos Colaboratórios com os Projetos Político-Pedagógico (PPP) das escolas, as propostas curriculares, os documentos orientadores do currículo e os materiais pedagógicos, como livros e apostilas adotados pela Rede de Ensino. Nessa política, é imprescindível que esses elementos estejam alinhados e que o trabalho seja coletivo.
O Colaboratório possui materiais previamente definidos, quando implementado na escola. Nesse sentido, é avaliado se os projetos utilizam os materiais disponíveis, a partir de um uso consciente e dialogando com as formações e materiais disponibilizados pela Secretaria. Ainda é verificado se esses materiais atendem às demandas e projetos elaborados pelas(os) estudantes. Esse monitoramento é fundamental para direcionar novas compras de materiais, por exemplo.
A formação das(os) professoras(es) da Rede também é um aspecto monitorado e avaliado. Para além do acesso aos conteúdos e materiais, a prática avaliativa possibilita que as(os) professoras(es) compartilhem as experiências vivenciadas nos diferentes territórios do Rio de Janeiro. Essa amplitude de experiências compartilhadas permite que se permeiem, na rede, conhecimentos diversos e que pontos desafiadores sejam identificados e avaliados tanto pela Rede de Ensino, quanto pelas(os) gestoras(es), uma vez que o desenvolvimento lógico e computacional, como apontado pela coordenadora Andreia Pereira, não é algo dado em todos os cursos de formação inicial.
“Todas as atividades são desenvolvidas de forma conjunta. Não existe o projeto do Colab ou da sala de aula. Não há essa ruptura.”
Andreia Lucia Gavina Pereira, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Jean Mermoz
Para além do acompanhamento na formação das(os) professoras(es), também é observado o trabalho desenvolvido, a partir das visitas pedagógicas nas escolas. Por meio desse monitoramento, consegue-se identificar práticas exitosas e soluções para desafios enfrentados, desde uma situação específica no Colaboratório, até questões relacionadas à implementação ou continuidade da política.
Esse trabalho coletivo, que ultrapassa o espaço do Colaboratório e impulsiona uma afetividade nas relações interpessoais, a partir dos grupos de trabalho, também tem sido acompanhado pelos Indicadores de Desempenho Escolar e Permanência.


Estudantes da EM Jean Mermoz programam um dispositivo para alerta de alagamentos.
Foto: Danielle Alves Martins
DESAFIOS E AVANÇOS
A partir de todas essas avaliações qualitativas e monitoramento da política, em 2024, foram constatados alguns desafios e avanços.
O engajamento docente, para além da(o) PA e da(o) PIC, se mostrou condicionado ao interesse e características individuais das(os) professoras(es). Há dificuldades como a falta de tempo para planejamento e para formação específica no uso dos equipamentos do Colaboratório. Ainda há diferentes graus de maturidade de implementação do programa nas escolas. Esses desafios se mostraram mais latentes nos Anos Finais do Ensino Fundamental, nos quais também há o desafio da carga horária diferenciada das(os) professoras(es) — que varia entre 16; 22,5; 30; e 40 horas semanais — e na organização dessas horas, pois há casos em que a carga horária da(o) professora(or) é cumprida em mais de uma escola.
Por isso, nem sempre a(o) professora(or) tem uma carga horária que possibilite uma imersão na proposta de Educação Integral e uma participação mais ativa, o que pode trazer implicações para o engajamento, ou não, da(o) docente nos projetos integrados da escola. Também nos Anos Finais, diferente dos Anos Iniciais, a(o) PA não está na escola todos os dias, pois, pela organização atual da política, ela(e) sempre é articuladora(or) em duas escolas. Essa alternância entre escolas pode resultar em ausências em determinados momentos, o que pode fragilizar a articulação dos projetos.
RESULTADOS, APRENDIZAGENS E ENGAJAMENTO
Os Ginásios Educacionais Tecnológicos se consolidam como um modelo de ensino inovador, gerando impactos no processo de ensino-aprendizagem e na vivência escolar de estudantes e professoras(es), possibilitando mudanças físicas e na concepção das escolas.
“A minha experiência aqui está sendo incrível. Quando eu entrei, não sabia praticamente nada. E, agora, estou aprendendo mais ainda e ajudando também.”
Emily de Oliveira, 13 anos, estudante do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Visconde do Rio Branco
“A gente aprende fazendo. A gente não recebe. A gente faz.”
Julia Sales França, 10 anos, e Vitória Emanuelle, 9 anos, estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jean Mermoz
“É bom que, tipo assim, se a gente não tiver um amigo que é tão próximo, com esse planejamento de grupo, acaba que a gente vai virando amigo um do outro. Aí, a gente conhece mais do outro e aproveita e fala o que acha sobre o trabalho. A relação melhora quando a gente faz as coisas em grupo, cada um dá uma opção. Aí a gente vai juntando tudo e faz esse sensor.”
Vitória Emanuelle Jordão, 10 anos, estudante do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jean Mermoz
Nesse sentido, o Colaboratório possibilitou novas reorganizações dos espaços da escola: crianças e jovens, para além de uma postura tradicional de sala enfileirada, têm novas propostas coletivas de aprendizado. Esse modo de organização, ao longo do tempo, impulsiona ações de colaboração entre pares e de protagonismo de muitas(os) estudantes.
Nele, as(os) estudantes podem transitar, mesmo que, ainda, em um espaço fechado, tornando-se um local de circulação de saberes diferentes do que estavam acostumadas(os). Esse é um processo que engaja e materializa o princípio da Educação Integral ao promover o desenvolvimento criativo, cognitivo, emocional e, principalmente, social das(os) estudantes.

Atividades de programação envolvem os(as) estudantes da EM Visconde do Rio Branco.
Foto: Luana Chaves de Faria
Essa postura ativa contrasta com a lógica transmissiva da sala de aula tradicional e reposiciona as(os) estudantes como sujeitas(os) do conhecimento. Essa mudança, mais do que pela tecnologia do espaço, acontece pela oportunidade das crianças se relacionarem de uma forma diferente, em coletivo.
O Colaboratório é o espaço onde o currículo ganha sentido ao se vincular com o cotidiano, com os desafios reais e com os sonhos das(os) estudantes, partindo, muitas vezes, de questões do território e das vivências locais, assim como ocorreu quando as(os) estudantes das Escolas Municipais Jean Mermoz e Professor Lourenço Filho programaram um dispositivo para alerta de alagamentos recorrentes no entorno das escolas.
“Porque é muita coisa pra mudar. Muita coisa pra fazer. Porque é uma outra escola. Você tem uma escola antes e uma escola depois.”
Marcelle de Fátima Lessa Rocha, diretora da Escola Municipal Visconde do Rio Branco
Além disso, as(os) alunas(os) percebem o GET como uma iniciativa inclusiva, por permitir o desenvolvimento de diferentes projetos para diferentes interesses, respeitando as individualidades. As ferramentas do Colaboratório potencializam a criação de estratégias pedagógicas adaptadas de acordo com as suas habilidades.
A valorização das diferenças é um aspecto fundamental para que estudantes com deficiência se sintam acolhidas(os) e respeitadas(os) nas escolas.
“Antes de estudar aqui, eu vim de escola particular. Eu já estudei em muitas escolas particulares que não têm nem metade dos recursos que a gente tem aqui no GET, porque aqui, a gente tem impressora, óculos 3D. A gente aprende muito aqui. São coisas que a gente vai aprender e que não vai ficar só aqui. A gente vai levar os conhecimentos pra vida.”
Emily de Oliveira, 13 anos, estudante do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Visconde do Rio Branco

As visitas guiadas, na EM Quarto Centenário, são realizadas por estudantes.
Foto: Luana Chaves de Faria
“Desde que a escola virou turno único, em 2016, e com essa mudança pra GET, eu vejo até uma mudança de comportamento dos alunos, porque tem um espaço diferenciado na escola. Eles querem estar nesse espaço, aprender e se desenvolver. (…) Então, o diferencial é esse: não é dar pronto pro aluno. É ele buscar, ele aprender.”
Marcelle de Fátima Lessa Rocha, diretora da Escola Municipal Visconde do Rio Branco

Estudante participando de atividade de robótica da EM Professor Lourenço Filho.
Foto: Danielle Alves Martins
“(O GET) Deixa a gente sonhar. Deixa a gente descobrir mais. Entender como funciona. Descobrir nossos potenciais e sonhos.”
Nicolas Belchior, 14 anos, estudante do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Visconde do Rio Branco
“Pode errar. É escola, pode errar.”
Manuella Ferreira de Almeida, 10 anos, estudante do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jean Mermoz

REFERÊNCIAS
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Dados Abertos. Brasília: Inep, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos. Acesso em: 17 dez. 2025.
TODOS PELA EDUCAÇÃO. Panorama da Educação Básica: Rio de Janeiro. [S. l.]: Todos Pela Educação, [s.d.]. Disponível em: https://todospelaeducacao.org.br/
wordpress/ wp-content/uploads/2025/12/panorama-educacional-rio-de-janeiro-rj.pdf. Acesso em: 17 dez. 2025.
RIO DE JANEIRO. Decreto nº 50.434, de 23 de março de 2022. Cria o Programa Ginásio Experimental Tecnológico no âmbito da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências. Rio de Janeiro: Prefeitura Municipal, [2022]. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/ rj/r/rio-de-janeiro/decreto/2022/5044/50434/ decreto-n-50434-2022-cria-o-programa-ginasio-experimental-tecnologico-no-ambito-da-secretaria-municipal-de-educacao-e-da-outras-providencias. Acesso em: 17 dez. 2025.
RIO DE JANEIRO. Decreto nº 53.939, de 16 de fevereiro de 2024. Modifica o Decreto Rio nº 50.434, de 23 de março de 2022, que cria o Programa Ginásio Experimental Tecnológico no âmbito da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências. Rio de Janeiro: Prefeitura Municipal, [2024]. Disponível em: https://educacao.prefeitura.rio/wp-content/uploads/sites/42/2024/
02/DECRETO-RIO-N-53939-DE-16-DE-FEVEREEIRO-D-2024.pdf. Acesso em: 17 dez. 2025.
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO:
• Instagram: @sme_carioca
GERÊNCIA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL:
• Instagram: @geinsme
ESCOLAS CITADAS NO TEXTO:
Escola Municipal Professor Lourenço Filho:
• Instagram: @emprofessorlourencofilho
Ginásio Educacional Tecnológico:
• Instagram:@get_iv_centenario
Escola Municipal Jean Mermoz:
• Instagram: @getjeanmermoz
Escola Municipal Nilo Peçanha: • Instagram: @getnilopecanha
Escola Municipal Visconde do Rio Branco:
• Instagram: @getvisconde
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO:
GERÊNCIA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL:
ESCOLAS CITADAS NO TEXTO:
Escola Municipal Professor Lourenço Filho:
www.instagram.com/emprofessorlourencofilho
Ginásio Educacional Tecnológico: www.instagram.com/get_iv_centenario
Escola Municipal Jean Mermoz: www.instagram.com/getjeanmermoz
Escola Municipal Nilo Peçanha: www.instagram.com/getnilopecanha
Escola Municipal Visconde do Rio Branco: www.instagram.com/getvisconde
