Raízes que Ensinam: Valorização da Diversidade Quilombola no Currículo Escolar

Incorporar a cultura quilombola e a ancestralidade afro-brasileira no currículo da Escola Municipal Barreirinho, situada em uma comunidade quilombola na zona rural de Joaíma (MG), no Vale do Jequitinhonha, foi o desafio que mobilizou a experiência “Raízes que ensinam: valorização da diversidade quilombola no currículo escolar”.
Implementada desde 2025, a iniciativa atende a Educação Infantil e os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em um território que imprime características singulares ao cotidiano escolar, em razão de sua rica herança cultural afro-brasileira. Seu principal objetivo é transformar esse contexto em uma oportunidade pedagógica, combatendo as desigualdades educacionais historicamente impostas aos povos quilombolas e reconhecendo a cultura como ferramenta de aprendizagem.
A proposta foi construída com base em um diagnóstico inicial, realizado de forma participativa com a comunidade escolar, que identificou os principais entraves ao desenvolvimento educacional, entre eles o déficit de aprendizagem, a exclusão cultural e a invisibilidade das práticas tradicionais no currículo escolar.
Entre as principais ações desenvolvidas, destacam-se as aulas de batuques e cantigas tradicionais; contação de histórias e oralidade popular com os mais velhos da comunidade; e oficinas de artesanato e saberes manuais, utilizando barro, sementes e tecidos. Também foram realizadas ações com foco na reestruturação do Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola de forma democrática, na formação continuada da equipe pedagógica e na promoção de eventos semestrais para toda a comunidade, como feiras culturais e encontros intergeracionais.
O processo de monitoramento e avaliação é conduzido por meio de critérios qualitativos e quantitativos com utilização de registros pedagógicos e observação direta das atividades; fichas de acompanhamento individual dos estudantes; rodas de conversa e escuta ativa com estudantes e familiares; reuniões mensais com a equipe pedagógica; além de autoavaliação institucional, instrumento elaborado pela Secretaria de Educação. Como resultado, foi observada a elevação da autoestima e do senso de pertencimento.
Esta experiência respeita e integra os saberes e modos de vida da comunidade quilombola, potencializando o desenvolvimento pleno dos sujeitos e as relações entre território e escola.



