Mostra de Cultura Afro-brasileira e Indígena
A “Mostra de cultura afro-brasileira e indígena” teve origem a partir da necessidade de enfrentar situações de preconceito observadas durante as aulas de História, uma vez que os estudantes apresentavam resistência em se reconhecer como negros ou indígenas e havia manifestações de racismo no ambiente escolar.
Implementada desde 2024 na Escola de Ensino Fundamental em Tempo Integral Padre Cristiano Coelho, localizada em Nova Olinda (CE), a experiência envolve alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental em ações pedagógicas para ampliar seu repertório cultural, promover o respeito às diferenças, valorizar a pluralidade étnica e contribuir para a superação do racismo e de todas as formas de discriminação, dando voz às questões raciais e promovendo uma aproximação dos alunos de sua identidade cultural e ancestral.
Entre as atividades desenvolvidas, destacam-se a realização de debates, rodas de conversa, seminários e palestras, assim como oficinas temáticas, produções artísticas e culturais, releituras de fotografias, além da organização de desfiles de beleza afro-indígena, elaboração de maquetes de comunidades quilombolas e engenhos de cana, estudos interdisciplinares em todas as áreas do currículo e culminância em uma mostra cultural.
O monitoramento das práticas é conduzido a partir de avaliações diárias de participação, rodas de conversa, registros pedagógicos, pesquisas sobre identidade racial e percepção da valorização dos negros na sociedade - aplicadas no início e no final da experiência -, além de entrevistas com os alunos para identificar transformações de atitudes e valores.
Desde então, foram observados o fortalecimento da identidade negra pelos alunos, o fim do racismo recreativo no ambiente escolar e o fortalecimento da autoestima dos estudantes. O diálogo sobre questões raciais se ampliou e a escola constrói, hoje, uma cultura e ambiência pautada no respeito e na valorização da diversidade.
Por meio da integração de saberes, identidades e culturas ao currículo e às práticas pedagógicas, esta experiência se compromete com a formação de sujeitos críticos, conscientes de sua identidade e respeitosos das diferenças. O enfrentamento ao racismo e outras discriminações, assumido como prioritário, tem contribuído para tornar a escola mais acolhedora, inclusiva e equitativa.